Estudo “KPMG Global Tech Report”, edição de 2026, alerta para o fosso entre a ambição e a execução, para o impacto da dívida técnica e para a dificuldade em medir o retorno da Inteligência Artificial, num momento em que 88% das organizações já investe em agentes de IA.
As organizações a nível mundial estão a acelerar os seus investimentos em tecnologia e em Inteligência Artificial, mas a maioria ainda não tem as estruturas necessárias para transformar esse investimento em resultados consistentes, em previsibilidade operacional e em retorno financeiro. Esta é uma das principais conclusões do Global Tech Report 2026 – Leading in the Intelligence Age: Excelling today, shaping tomorrow, um estudo internacional da KPMG que analisa anualmente as decisões, o financiamento e a governance da tecnologia em 27 países.
De acordo com o estudo, 50% dos executivos acredita que as suas organizações irão atingir o nível máximo de maturidade tecnológica até ao final de 2026, quando apenas 11% afirma estar hoje nesse patamar. Esta discrepância revela um claro fosso entre a ambição e a realidade, num contexto em que a transformação digital deixa de ser opcional e passa a ser um fator crítico de competitividade.
Apesar do otimismo, o estudo da KPMG identifica desafios estruturais relevantes: mais de 53% das empresas reconhece que não dispõem ainda do capital humano necessário para concretizar os seus objetivos de transformação, enquanto 63% admite que o custo de corrigir a dívida técnica acumulada está a travar novos investimentos. Em paralelo, 69% das empresas afirma ter feito compromissos em áreas como a segurança ou a normalização de dados para ganhar velocidade e reduzir custos, aumentando o risco operacional a médio prazo.
Um dos temas centrais do KPMG Global Tech Report 2026 é a evolução da Inteligência Artificial. O relatório mostra que a IA está a sair da fase experimental para se tornar parte integrante das operações das empresas. Segundo o estudo, 88% dos executivos afirma já estar a investir na integração da IA agêntica, ou seja, agentes de IA capazes de executar tarefas de forma autónoma dentro dos sistemas, sinalizando a transição para uma nova fase da transformação digital, em que a IA passa a funcionar como uma verdadeira força de trabalho digital.
No entanto, esta evolução traz novos desafios, pois embora 74% das empresas afirmem que a Inteligência Artificial já cria valor para o negócio, apenas 24% conseguem demonstrar retorno do investimento consistente em múltiplos casos de uso. O estudo revela ainda que 58% dos executivos considera que as métricas tradicionais de ROI são insuficientes para avaliar investimentos em IA, e 55% admitem dificuldades em comunicar o valor destes projetos a stakeholders e acionistas.
Estes dados reforçam a necessidade de repensar a forma como o valor tecnológico é medido e governado. Segundo a KPMG, o foco deve ir além da eficiência e da redução de custos, incorporando métricas relacionadas com a mitigação de risco, a melhoria da tomada de decisão, a aceleração de processos e a resiliência operacional.
Para a KPMG, os próximos anos irão distinguir claramente as empresas que conseguem transformar ambição tecnológica em valor sustentável daquelas que ficam presas a projetos dispersos, métricas inadequadas e sistemas legados. A capacidade de adaptação, a governação da Inteligência Artificial, o investimento em talento e a modernização das bases tecnológicas serão fatores determinantes para competir na chamada “Era da Inteligência”.
Embora o KPMG Global Tech Report 2026 não apresente dados específicos para Portugal, as conclusões do estudo são particularmente relevantes para o tecido empresarial nacional, marcado por desafios estruturais ao nível da produtividade, ao nível da escala e da previsibilidade operacional. Num contexto em que muitas organizações portuguesas coexistem com constrangimentos de talento especializado e com pressão crescente sobre custos, a transformação digital exige assim um equilíbrio rigoroso entre ambição e execução.
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