A evolução do setor das Tecnologias de Informação (TI) na Europa e em Portugal em particular tem-se caracterizado por combinar a dinâmica de mercado, a agenda regulatória e as políticas setoriais.
a) As várias ondas recentes que contribuíram para moldar e definir o setor das TIC: desde a digitalização ao foco atual em IA, colocando-a no centro da proposta de valor, investimento e inovação. A viragem para a GenAI despoletou um novo ciclo de capex em data centers (GPUaaS, PaaS de GenAI), com previsão de crescimento do gasto em TI na Europa de ~8,7% em 2025; com um “mix” de investimento a deslocar-se para software/serviços e casos de uso “build from scratch” e comprados a parceiros.
b) Equilibrar escala hiperscalers vs. “soberania” europeia. O mercado europeu de cloud é altamente concentrado na AWS, Microsoft e Google a representarem mais de 70% e com o consumo a aumentar significativamente devido também ao crescimento explosivo de serviços ligados a GenAI (140–160% em 2024–2025). No entanto, está a ganhar força a agenda de soberania digital/“sovereign cloud”/IA Soberana (Gaia-X, EUCS), com os estudos a apontarem preferências divergentes entre Estados-Membros e limitações de escala tecnológica, o que tende a ancorar modelos híbridos: parceiros europeus especializados + plataformas globais.
c) O “arsenal regulatório” em que a regulação horizontal condiciona as estratégias de produto, dados e segurança (AI Act, data Act, NIS2, DORA Cyber Resilience Act e o DMA/DAS). Na prática, o “compliance stack” europeu está a ancorar diferenciação (trust, segurança, direitos), mas também a incrementar custos fixos e a necessidade de product governance (IA de alto risco, “AI literacy”, pós-market monitoring, interoperabilidade de dados).
d) As políticas industriais e reconfiguração da base tecnológica – re-industrialização digital – em concreto o EU Chips Act (2023), que incentiva a I&D e a produção e agenda “Digital Decade 2030”, que fixa metas de adoção de Cloud, IA ou Big Data definindo pressupostos de atribuição de fundos e promovendo “multi-country projects”.
e) Algumas Tendências setoriais e nacionais (Portugal incluído), como por exemplo a criação de centros de excelência de IA; a resiliência das Fintech/PayTech com aposta em GenAI, cyber e prevenção de fraude (Portugal Fintech Report 2024) e as indústrias intensivas de dados (financeiro, saúde, automóvel, energia) a investir em plataformas de dados e analítica avançada, com pressões de compliance (NIS, DORA Data Act, CRA) e vendor lock-in mitigado por multi-cloud soberano em casos específicos.