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      A KPMG Portugal quer potenciar o crescimento da sua área de consultoria investindo em serviços de estratégia, em inteligência artificial (IA) e na análise avançada de dados, afirma ao Expresso o líder de consultoria da KPMG Portugal, João Sousa Leal. Sem avançar números sobre a faturação de 2025, o responsável estima que as receitas do departamento de consultoria possam alcançar os €100 milhões em 2026 e saltar para os €140 milhões num prazo de três anos. 

      Na área de estratégia o investimento poderá superar os €5 milhões em três anos. Já na IA e em análise avançada os investimentos podem chegar aos €10 milhões se a KPMG Portugal avançar com uma aquisição. No conjunto, o investimento nestas áreas ascenderá a mais de €15 milhões, explica o líder de consultoria da KPMG. 

      O objetivo é estar presente em todas as fases de um processo de transformação de uma empresa. “Queremos não só implementar a estratégia desenhada pelas grandes empresas de consultoria de gestão, como a McKinsey & Company, Boston Consulting Group (BCG) e Bain & Company, como também desenhá-la”, sublinha. “O mundo complexo matou a estratégia isolada”, nota o responsável, frisando que a KPMG quer agora assegurar “uma visão a 360º”, ampliando o leque de serviços que oferece no mercado nacional.


      Áreas independentes

      A consultora quer desenhar, implementar e criar valor para clientes que até agora não têm tido tanto acesso a esta área de estratégia. “Queremos democratizar a consultoria estratégica, sentimos que há espaço e mercado para o fazermos”, atira João Sousa Leal. 

      Questionado sobre se esta nova área vai servir clientes dos quais a KPMG é auditora, afirma que “o posicionamento da KPMG Portugal é não misturar”. “Não vamos oferecer o serviço de estratégia a clientes de que somos auditores”, garante. E explica ainda que a oferta será canalizada mais “para as grandes empresas familiares portuguesas” e empresas de dimensão média. A ideia “é potenciar nesta oferta a valência da IA e a de advanced analytics, que permitirá, através de modelos preditivos, acrescentar valor à transformação e ofertas dos novos clientes”.

      Foto de João Leal
      João Leal

      Head of Advisory

      KPMG em Portugal


      Queremos democratizar a consultoria estratégica, sentimos que há espaço e mercado para o fazermos.

      João Sousa Leal

      Head of Advisory

      KPMG em Portugal


      A KPMG Portugal, que foi um dos assessores da venda do Novo Banco ao grupo francês BPCE, diz que há três sectores estratégicos: o financeiro (banca e seguros), o da energia e utilities e ainda o das telecomunicações. “Já temos projetos a iniciarem-se nestes três sectores e a fazer caminho para entrar em outras indústrias”, indica João Sousa Leal sem avançar pormenores sobre esses projetos. O líder de consultoria da KPMG Portugal não hesita em dizer que os investimentos nestas áreas vão potenciar todo o negócio. “Nós fomos recrutar às três maiores consultoras de estratégia”, revela. Entre as contratações feitas pela KPMG estão profissionais que passaram pela McKinsey, BCG e Bain. Foi o caso, por exemplo, de João Dias Leonardo, que esteve mais de 15 anos na McKinsey, e em 2025 reforçou a equipa da empresa em Portugal, que conta com mais de uma dezena de especialistas que vêm da consultoria estratégica, não só das três concorrentes referidas, mas também de consultoras como a Roland Berger.


      Hiato entre desenhar e implementar desaparece

      A KPMG “integra desde o dia zero as componentes de integração tecnológica, transações, fusões e aquisições, sustentabilidade, gestão de risco, regulamentação e fiscalidade. Temos a capacidade de eliminar a fricção e a perda de conhecimento entre a consultora que desenha e a que implementa”, sublinha João Sousa Leal. 

      O facto de as “Big Four” (KPMG, Deloitte, EY e PwC) terem feito evoluir os seus negócios em torno da auditoria, consultoria, fiscalidade, serviços jurídicos, sustentabilidade e consultoria estratégica permite-lhes, através de maiores investimentos em IA e análise avançada, responder de forma mais “robusta” a novos desafios, defende, acrescentando que isso permite “fazer desaparecer o hiato entre a estratégia e a sua implementação”. 

      E promete que a empresa estará comprometida com os resultados. “Não teremos apenas o PowerPoint, vamos estar atentos à implementação e, em alguns casos, podemos faturar em função dos resultados”, argumenta.

      Também observa que em Espanha, nesta área, a KPMG partiu do zero, mas conta agora com mais de 100 pessoas, com o objetivo de se afirmar como especialista no sector da consultoria estratégica.


      Consultoria e internacionalização

      João Sousa Leal vinca também que a área de consultoria da KPMG Portugal “mantém uma trajetória robusta”, com um crescimento médio de 11,5% desde 2022 e um crescimento de 10% ao ano nos últimos dois anos, sob influência das atividades de fusões e aquisições e de reestruturações, cuja aceleração foi de 13,6%. Já as grandes transformações digitais e de negócio registaram um incremento de 8%. 

      Afirma ainda que 47% da receita da KPMG Portugal em consultoria vem de fora de Portugal, “com uma exposição muito grande a mercados sofisticados, como, por exemplo, a Alemanha, o Reino Unido e os Estados Unidos da América”. A KPMG Portugal também presta serviços de consultoria em “mercados de grande potencial”, como o Médio Oriente. E Angola, onde a KPMG diz ter um “compromisso histórico”, contribui com 10% das receitas.


      Entrevista a João Sousa Leal para o jornal Expresso a 20 de fevereiro de 2026



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