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      A mobilidade global de talentos está passando por uma transformação profunda. Em um contexto marcado por incertezas econômicas, mudanças regulatórias e avanço acelerado da inteligência artificial (IA), as empresas buscam novas formas de movimentar pessoas, crescer de modo sustentável e, ao mesmo tempo, cumprir metas climáticas cada vez mais ambiciosas.

      Estes e outros insights estão presentes na publicação 2025 KPMG Global Mobility Benchmarking Report, produzida pela KPMG, que foi realizada com base nas percepções de 456 empresas multinacionais atuantes em 12 setores de 29 países e territórios.

      No Brasil, os dados mostram um ambiente em que mobilidade, tecnologia e sustentabilidade caminham juntos. As organizações enxergam a mobilidade global não apenas como gestão de expatriados, mas como um componente estratégico da agenda de talentos, energia e transformação digital.


      Por que a mobilidade global ganhou status estratégico no Brasil?

      A mobilidade global de talentos está evoluindo de uma função predominantemente operacional para um papel de assessoria estratégica às lideranças.

      No Brasil, essa mudança é reforçada pela maneira como as organizações conectam mobilidade, metas de descarbonização e ambições de crescimento.

      Os dados do recorte brasileiro do estudo indicam que sustentabilidade e redução de carbono são tratadas como pilares da estratégia corporativa, não como iniciativas paralelas.

      A percepção de que é possível crescer e descarbonizar ao mesmo tempo é alta, o que abre espaço para modelos de mobilidade mais integrados à gestão de pessoas, tributos, folha global e planejamento financeiro.

      Nesse cenário, a mobilidade global passa a ser vista como instrumento para atrair talentos escassos, apoiar expansão internacional, viabilizar projetos estratégicos em diferentes mercados e fortalecer a reputação da organização junto a investidores e demais stakeholders.

      Quais tendências impactam a mobilidade global e o uso de IA no Brasil?

      A combinação entre inteligência artificial (IA), energia e talentos é um dos fatores que mais influenciam a mobilidade global no contexto brasileiro.

      O consumo de energia cresce de forma consistente, impulsionado pelo uso intensivo de IA, pelo aumento da capacidade de data centers e pela expansão digital dos negócios.

      As empresas indicam que, em três anos, mais da metade do consumo de energia deverá estar vinculada à IA e ao processamento computacional.

      Ao mesmo tempo, há uma expectativa forte de migração para fontes renováveis e de adoção de geração própria de energia, inclusive em sites que hospedam operações críticas.

      Esse movimento reforça algumas tendências-chave:

      • Dependência cada vez maior de infraestrutura digital e energética confiável para apoiar mobilidade internacional.
      • Uso de IA em previsões de demanda, rastreamento de emissões em tempo real, análise climática e escolha de localidades.
      • Necessidade de políticas mais flexíveis, capazes de acomodar trabalho remoto, deslocamentos frequentes e arranjos híbridos de mobilidade.

      Para líderes de mobilidade, acompanhar essas tendências significa articular-se com áreas de tecnologia, finanças, recursos humanos (RH) e governanca ambiental, social e corporativa (ESG), de modo que as decisões de mobilidade global estejam alinhadas à capacidade energética e digital da organização.

      De que forma a mobilidade global pode se tornar vantagem competitiva?

      Quando bem estruturada, a mobilidade global deixa de ser apenas uma resposta a demandas pontuais e passa a operar como fator que agrega e impulsiona valor.

      Empresas que atualizam políticas, investem em integração de dados, melhoram a experiência do colaborador em mobilidade e alinham decisões de movimentação internacional à estratégia energética e digital tendem a capturar benefícios mais amplos: atração e retenção de talentos, maior agilidade para acessar novos mercados, fortalecimento de reputação e vantagem competitiva sustentável.

      Nesse contexto, a mobilidade global se consolida como um dos pilares da transformação organizacional no Brasil.

      Em um ambiente em que IA, energia limpa e talentos qualificados são ativos estratégicos, a capacidade de articular esses elementos por meio de programas de mobilidade bem desenhados pode definir quais organizações vão liderar a próxima fase de crescimento — no País e no mundo.

      A mobilidade global de talentos passa, assim, a ser não apenas uma função de suporte, mas uma ferramenta essencial para transformar a gestão de pessoas em impulsionadora do crescimento e da competitividade em vários níveis.


      Destaques do Brasil

      • Sustentabilidade é central: 97% tratam sustentabilidade e redução de carbono como prioridade alta ou máxima.
      • Compromissos climáticos robustos: Mais de 60% têm metas públicas de redução de emissões, incluindo net zero.
      • Otimismo sobre IA: 79% acreditam que a IA terá impacto climático líquido positivo.
      • Energia puxada pela IA: 69% já dedicam mais de 10% da energia à IA; 56% projetam que IA e computação serão responsáveis por mais de 50% do consumo total de energia em suas empresas em três anos.
      • Aceleração da energia renovável: Empresas com mais de 50% de energia limpa saltam de 12,5% para 56% em três anos.
      • Geração própria em ascensão: Apenas 6% geram energia hoje; 75% planejam gerar em três anos.