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      A necessidade de um (re)planejamento tributário diante das implicações da reforma tributária para as empresas familiares se torna evidente à medida que a nova legislação redefine pilares importantes do sistema fiscal brasileiro.

      Para as empresas familiares, seus efeitos são ainda mais sensíveis, pois atingem simultaneamente empresa, família e patrimônio. Mudanças em heranças, doações, dividendos e tributos sobre consumo alteram premissas históricas de planejamento, tornando indispensável a revisão das estruturas atuais.

      Por que a reforma exige revisão do planejamento das empresas familiares?

      A reforma busca mais equidade, neutralidade e transparência no sistema tributário — e isso afeta diretamente modelos que, até aqui, eram amplamente utilizados por famílias empresárias.

      Nesse contexto, compreender as mudanças e suas motivações é essencial para avaliar impactos e tomar decisões mais assertivas.

      Por que a tributação sobre heranças e doações muda?

      A reforma tornou obrigatória a progressividade do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD)  em todos os estados, com alíquotas que podem chegar a 8%. O objetivo é alinhar o imposto à capacidade contributiva, fazendo com que patrimônios maiores sejam tributados a percentuais mais elevados.

      Na prática, isso corrige distorções do modelo anterior, no qual muitos estados aplicavam alíquotas únicas, independentemente do valor transmitido. Além disso, a reforma encerra disputas sobre a competência para tributar bens no exterior, garantindo que heranças e doações internacionais também sejam alcançadas pelo ITCMD do estado de domicílio do doador ou falecido.


      Impactos para as empresas familiares:

      • Estruturas sucessórias criadas sob a lógica de alíquotas mais baixas precisam ser revistas;
      • Adiar a sucessão pode significar custo tributário maior no futuro;
      • Ativos mantidos no exterior passam a exigir atenção adicional.

      Por que os dividendos passam a ser tributados?

      O Brasil era uma exceção internacional ao não tributar dividendos na pessoa física. A reforma corrige essa distorção ao reintroduzir a tributação, buscando maior equilíbrio entre a tributação da renda do capital e do trabalho.

      Com isso, dividendos acima de determinado limite mensal passam a sofrer retenção de imposto. Ao mesmo tempo, discute-se a redução da carga na pessoa jurídica, para evitar bitributação excessiva e manter a carga total em patamares comparáveis aos de outros países.


      Impactos para as empresas familiares:

      • Revisão das políticas de distribuição de lucros;
      • Reavaliação do equilíbrio entre pró-labore e dividendos;
      • Ajustes no papel das holdings para evitar ineficiências.

      Por que estruturas baseadas em ICMS perdem sentido?

      A criação do Imposto sobre Bens e Serviço (IBS), com tributação no destino e alíquotas uniformes, elimina a lógica da chamada guerra fiscal entre estados. Estruturas montadas apenas para aproveitar benefícios regionais do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) deixam de gerar vantagem econômica real.

      A reforma busca neutralidade tributária, reduzindo incentivos artificiais e estimulando decisões baseadas em eficiência operacional, e não em localização fiscal.


      Impactos para as empresas familiares:

      • Reavaliação de filiais, CNPJs e segmentações societárias;
      • Possível simplificação da estrutura empresarial;
      • Redução de custos, riscos fiscais e complexidade administrativa.

      Como a KPMG apoia as empresas familiares nesse processo?

      A KPMG atua de forma integrada no apoio às empresas familiares durante a transição para o novo sistema tributário, conectando tributação, sucessão, governança e estratégia de longo prazo.

      Por meio do Family Business Excellence Hub (FABEX), a KPMG oferece um olhar diferenciado, que considera simultaneamente:

      • Objetivos da família empresária;
      • Sustentabilidade do negócio;
      • Eficiência tributária e societária;
      • Continuidade entre gerações.

      O FABEX apoia desde a revisão do planejamento tributário e sucessório até a reorganização de estruturas societárias e políticas de remuneração, sempre com foco em clareza, segurança jurídica e alinhamento ao futuro da empresa familiar.

      Como as empresas familiares devem se preparar?

      A reforma tributária não apenas altera regras: ela muda a lógica do planejamento.

      Para as empresas familiares, o momento é de revisar estruturas, antecipar decisões e alinhar o planejamento tributário à nova realidade. Quem se antecipa tende a proteger melhor o patrimônio, reduzir riscos e fortalecer o legado familiar ao longo das próximas gerações.

      Carolina de Oliveira

      Líder Global de Emerging Giants e Sócia-líder de Private Enterprise

      KPMG no Brasil e na América do Sul


      Luciana Abreu
      Luciana Abreu

      Gerente de Private Enterprise

      KPMG no Brasil


      Guilherme Bachur
      Guilherme Bachur

      Gerente Sênior de Global Mobility Services e membro do FABEX especialista em Tributos

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