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      A necessidade de um (re)planejamento tributário torna-se ainda mais evidente diante das novas legislações que vêm sendo implementadas no Brasil, incluindo a reforma tributária com impactos na tributação do consumo e no ITCMD e as alterações na tributação da renda. Essas mudanças redefinem pilares relevantes do sistema fiscal brasileiro.

      Para as empresas familiares, os efeitos são ainda mais sensíveis, ao impactar simultaneamente empresa, família e patrimônio. Mudanças em heranças, doações, dividendos e tributos sobre consumo alteram premissas históricas de planejamento, tornando indispensável a revisão das estruturas atuais.

      Por que a reforma exige revisão do planejamento das empresas familiares?

      A reforma tributária marca uma mudança relevante na forma como empresas e famílias se organizam do ponto de vista fiscal. Para empresas familiares, esse movimento é ainda mais sensível, já que envolve não só o negócio, mas também o patrimônio e a dinâmica entre gerações. Isso porque mudanças na tributação do consumo, nos efeitos fiscais sobre a sucessão e na tributação da renda, já em vigor, começam a alterar premissas que, por muito tempo, foram consideradas estáveis.

      Por que a tributação sobre heranças e doações muda?

      As mudanças trazidas pela reforma estabeleceram a obrigatoriedade da progressividade do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) em todos os estados, com alíquotas que podem chegar a 8%. A lógica passa a refletir de forma mais clara a capacidade contributiva, com incidência proporcionalmente maior sobre patrimônios mais elevados.

      Além disso, a lei complementar trouxe maior clareza sobre a competência para tributar bens no exterior, permitindo que heranças e doações internacionais sejam alcançadas pelo ITCMD do estado de domicílio do doador ou do falecido.


      Impactos para as empresas familiares:

      • Estruturas sucessórias criadas sob a lógica de alíquotas mais baixas precisam ser revistas;
      • Adiar a sucessão pode significar custo tributário maior no futuro;
      • Ativos mantidos no exterior passam a exigir atenção adicional.

      Por que os dividendos passam a ser tributados?

      No Brasil, os lucros apurados pelas empresas continuam sujeitos à tributação na pessoa jurídica, por meio do IRPJ e da CSLL. Após um período de isenção iniciado em 1995, durante o qual os dividendos distribuídos não eram tributados na pessoa física, a nova legislação passa a prever a incidência de imposto também na pessoa física em determinados casos.

      Com isso, dividendos acima de determinados limites mensais passam a sofrer retenção de imposto.

      Adicionalmente à tributação de dividendos, a introdução do imposto mínimo trouxe mecanismos que consideram a tributação já incorrida na pessoa jurídica, com o objetivo de limitar a carga tributária total quando analisada de forma combinada entre pessoa jurídica e pessoa física, acrescentando novas dimensões à análise e ao planejamento tributário.

      Esse novo desenho altera de forma relevante a dinâmica de distribuição de resultados e reforça a necessidade de revisão das estratégias tributárias, especialmente sob a perspectiva da carga tributária combinada entre pessoa jurídica e pessoa física e das novas variáveis introduzidas pelo imposto mínimo.


      Impactos para as empresas familiares:

      • Revisão das políticas de distribuição de lucros;
      • Reavaliação do equilíbrio entre pró-labore e dividendos;
      • Ajustes no papel das holdings para evitar ineficiências.

      Por que estruturas baseadas em ICMS perdem sentido?

      A criação do Imposto sobre Bens e Serviço (IBS), com tributação no destino e alíquotas uniformes, elimina a lógica da chamada guerra fiscal entre estados. Estruturas montadas apenas para aproveitar benefícios regionais do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) deixam de gerar vantagem econômica real.


      Impactos para as empresas familiares:

      • Reavaliação de filiais, CNPJs e segmentações societárias;
      • Possível simplificação da estrutura empresarial;
      • Redução de custos, riscos fiscais e complexidade administrativa.

      Como a KPMG apoia as empresas familiares nesse processo?

      A KPMG atua de forma integrada no apoio às empresas familiares durante a transição para o novo sistema tributário, conectando tributação, sucessão, governança e estratégia de longo prazo.

      Por meio do Family Business Excellence Hub (FABEX), a KPMG oferece um olhar diferenciado, que considera simultaneamente:

      • Objetivos da família empresária;
      • Sustentabilidade do negócio;
      • Eficiência tributária e societária;
      • Continuidade entre gerações.

      O FABEX apoia desde a revisão do planejamento tributário e sucessório até a reorganização de estruturas societárias e políticas de remuneração, sempre com foco em clareza, segurança jurídica e alinhamento ao futuro da empresa familiar.

      Como as empresas familiares devem se preparar?

      A reforma tributária não apenas altera regras: ela muda a lógica do planejamento.

      Para as empresas familiares, o momento é de revisar estruturas, antecipar decisões e alinhar o planejamento tributário à nova realidade. Quem se antecipa tende a proteger melhor o patrimônio, reduzir riscos e fortalecer o legado familiar ao longo das próximas gerações.

      Janine Goulart

      Head of People, Performance and Culture e Lead Partner People Services

      KPMG no Brasil


      Danielle Bibbo
      Danielle Bibbo

      Sócia-diretora de People Services da KPMG no Brasil e membro do FABEX especialista em Tributos

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      Rodrigo Gaiardo

      Gerente Sênior de People Services da KPMG no Brasil e membro do FABEX especialista em Tributos

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