O mercado global de private equity demonstrou resiliência no primeiro semestre de 2026, apesar das incertezas geopolíticas e macroeconômicas. Os investimentos superaram US$ 1 trilhão no período, de acordo com o estudo Pulse of Private Equity Q2’26, produzido pela KPMG.
Embora o resultado tenha ficado abaixo do ritmo registrado em 2025, quando os investimentos alcançaram US$ 2,3 trilhões, o valor permanece sólido em comparação com os padrões históricos. O volume de negócios, no entanto, continuou mais moderado: foram 9.294 transações no primeiro semestre, ante 21.646 em todo o ano anterior.
Os números refletem uma busca global por qualidade. Em um ambiente ainda marcado por inflação, tensões geopolíticas e diferentes trajetórias para as taxas de juros, os investidores têm concentrado recursos em um número menor de ativos de alto valor e com perspectivas mais consistentes.
Quais setores estão atraindo investimentos de private equity?
Tecnologia, mídia e telecomunicações concentraram o maior volume de investimentos globais no primeiro semestre de 2026, com US$ 354,7 bilhões. Na sequência aparecem a indústria de transformação, com US$ 154 bilhões, e energia e recursos naturais, com US$ 149,2 bilhões.
Se o ritmo for mantido, energia e recursos naturais poderão encerrar 2026 com um novo recorde de investimentos. O interesse é impulsionado tanto pela transição energética quanto pela crescente demanda por eletricidade para sustentar infraestruturas de inteligência artificial (IA) e de dados.
A IA também está alterando a distribuição dos investimentos no setor de tecnologia. Diante das possíveis transformações provocadas pela tecnologia no mercado de software, alguns investidores estão reavaliando seus portfólios e direcionando maior atenção a ativos de hardware relacionados à produção industrial, como sensores, robótica e semicondutores.
Investimentos de private equity no primeiro semestre de 2026 superam US$ 1 trilhão; perspectivas para Brasil e América Latina se ampliam.
Como está o mercado de private equity nas Américas?
As Américas receberam US$ 579,1 bilhões em investimentos de private equity no primeiro semestre de 2026, distribuídos por 4.319 transações. A região concentrou a maior parcela do capital investido globalmente, embora os negócios tenham permanecido mais seletivos.
O setor de energia destacou-se, com US$ 101,7 bilhões investidos em 366 transações. Aquisições e buyouts continuaram sendo as principais rotas de saída, enquanto as ofertas públicas iniciais de empresas apoiadas por fundos de private equity permaneceram mais restritas.
Para os próximos meses, a expectativa é de que os investidores continuem priorizando ativos de qualidade e segmentos como infraestrutura energética e de IA.
Quais são as perspectivas para o Brasil e a América Latina?
O interesse dos investidores de private equity pela América Latina aumentou no segundo trimestre, principalmente nos setores de energia, telecomunicações e IA. Parte relevante desse movimento é liderada por grandes gestoras dos Estados Unidos, por meio de fundos de infraestrutura ou de estratégias voltadas a setores específicos.
A região também registra maior cooperação entre fundos multilaterais e fundos de private equity, com novas alianças voltadas a transações de grande porte. Ao mesmo tempo, a atividade de saída melhorou no primeiro semestre, com o avanço das operações de fusões e aquisições (mergers and acquisitions - M&A), incluindo transações secundárias, e uma reabertura seletiva do mercado de capitais.
Apesar do maior interesse dos investidores, grandes operações de infraestrutura ainda enfrentam prazos prolongados para sua concretização na América Latina. O aumento do escrutínio regulatório e a necessidade de avaliar estruturas financeiras e possíveis impactos públicos têm reduzido a velocidade de algumas transações.
Para o mercado de private equity e M&A no Brasil, o momento é de preparar ativos com fundamentos sólidos, governança consistente e estratégias capazes de responder às transformações tecnológicas, energéticas e regulatórias.