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      O estudo 2026 KPMG Global Tax Readiness Dividend, produzido pela KPMG, mostra que a prontidão tributária, ou seja, a capacidade de operar de forma eficaz, proativa e em escala diante de mudanças contínuas, tornou-se um importante diferencial competitivo. Os dados mostram que isso aplica tanto globalmente quanto no Brasil.

      A pesquisa global reuniu 2.084 líderes seniores de 25 países e territórios. O estudo contou com respostas de 50 participantes brasileiros de diferentes setores, com faturamentos que variam de US$ 100 milhões a mais de US$ 50 bilhões.

      O que caracteriza uma área tributária preparada para o futuro?

      A prontidão tributária envolve cinco dimensões conectadas: governança e gestão de riscos, eficiência dos processos e fluxos de trabalho, tecnologia e infraestrutura de dados, habilidades dos profissionais e participação da área tributária nas decisões estratégicas da empresa.

      Embora muitas organizações tenham investido em tecnologia, mudanças de processos e novos modelos operacionais, poucas alcançaram um estágio realmente integrado, apoiado por dados confiáveis e habilitado por inteligência artificial (IA).

      No cenário global, somente 11% das organizações classificam a área tributária como totalmente integrada e alinhada ao negócio. No Brasil, essa proporção chega a 26%. Outros 37% dos participantes globais e 36% dos brasileiros consideram sua área de tributos avançada.

      Na outra ponta, 15% das organizações globais e 14% das brasileiras ainda estão em desenvolvimento, enquanto 4% globalmente e 6% no Brasil permanecem no estágio fundacional.


      Prontidão tributária no Brasil

      • 26% classificam a área tributária como líder.
      • 36% consideram a função tributária avançada.
      • 18% estão no estágio estabelecido.
      • 14% ainda estão em desenvolvimento.
      • 6% permanecem no estágio fundacional.

      Como a prontidão tributária contribui para o desempenho das empresas?

      As organizações mais maduras não utilizam a prontidão tributária apenas para responder a obrigações de compliance. Elas transformam essa capacidade em inovação, resiliência, desenvolvimento de talentos e geração de valor.

      Globalmente, os líderes em prontidão tributária são 5,8 vezes mais propensos a superar seus pares em inovação, 4,2 vezes mais propensos a obter desempenho superior na geração de valor e na resiliência e seis vezes mais propensos a apresentar vantagem na atração, no desenvolvimento e na retenção de talentos.

      No Brasil, as organizações líderes são 5,08 vezes mais propensas a apresentar desempenho superior na geração de valor, 2,03 vezes mais propensas a demonstrar maior resiliência e 4,68 vezes mais propensas a obter vantagem na atração, no desenvolvimento e na retenção de profissionais.

      Esses resultados evidenciam a distância entre as áreas tributárias capazes de operar na velocidade e na escala exigidas atualmente e aquelas ainda limitadas por sistemas fragmentados, soluções manuais e processos reativos.

      Quais fatores estão pressionando os modelos operacionais tributários?

      Muitos modelos operacionais foram concebidos para ciclos periódicos de reporte e ambientes regulatórios relativamente estáveis. Hoje, eles enfrentam pressões decorrentes da expansão regulatória, da fragmentação geopolítica e da digitalização das administrações tributárias.

      No estudo global, os principais desafios mencionados são risco regulatório, citado por 37%; segurança de dados, por 34%; e complexidade das operações transfronteiriças, por 30%. No Brasil, os percentuais são, respectivamente, de 38%, 40% e 26%.

      Além disso, 50% dos participantes globais e 36% dos brasileiros afirmam que as mudanças geopolíticas afetam significativamente a eficiência. A evolução regulatória dificulta a agilidade para 48% das organizações globalmente e 38% no Brasil.

      As funções tributárias mais preparadas conectam riscos regulatórios, operacionais e geopolíticos, monitoram acontecimentos globais, traduzem seus impactos para os negócios e coordenam respostas com áreas como finanças, jurídico, compras, recursos humanos e operações.

      Por que modernização e prontidão tributária não são a mesma coisa?

      Apesar dos investimentos em tecnologia tributária, automação, redesenho de processos e experimentação com IA, muitas organizações permanecem em uma “armadilha da modernização intermediária”.

      Nesse estágio, há ferramentas, automações e projetos-piloto, mas falta integração entre sistemas, dados, processos e países. Por isso, as equipes continuam enfrentando dificuldades em atividades fundamentais, como conciliações, qualidade dos dados, relatórios tempestivos e gestão do contencioso.

      Entre as organizações globais líderes em prontidão tributária, a geração de valor proporcionada pela tecnologia é oito vezes maior. O valor obtido com a automação dos fluxos de trabalho é quase seis vezes maior; com análises e dashboards, 5,3 vezes maior; e com qualidade e governança de dados, 4,6 vezes maior.

      No Brasil, as diferenças são ainda mais expressivas: os líderes registram nove vezes mais valor decorrente da tecnologia tributária, quase dez vezes mais com a automação dos fluxos de trabalho, 12 vezes mais com análises e dashboards e 15 vezes mais com qualidade e governança de dados.

      Como a inteligência artificial está transformando a área tributária?

      A IA tornou-se um elemento central da transformação tributária. Entre os entrevistados globais, 41% demonstram forte interesse por soluções de IA específicas para tributos. No Brasil, essa proporção alcança 54%.

      Os principais casos de uso envolvem extração e classificação de dados, análises e modelagem de cenários, revisão de documentos e suporte às atividades de compliance. Entretanto, na maioria das organizações, a tecnologia ainda está restrita a tarefas isoladas, sem integração de ponta a ponta aos processos tributários.

      Dados incompletos ou de baixa qualidade, sistemas fragmentados, taxonomias frágeis, limitações de governança e preocupações com explicabilidade e controle dificultam a ampliação do uso da IA.

      Globalmente, as organizações líderes são 20 vezes mais propensas a contar com dados tributários de alta qualidade e bem governados para análises habilitadas por IA e nove vezes mais propensas a relatar alto valor gerado pela IA agêntica. No Brasil, esses multiplicadores são, respectivamente, de 13 e seis vezes.

      Essas organizações tratam a IA como uma capacidade sustentada por dados robustos, fluxos de trabalho integrados, governança clara e supervisão humana, e não apenas como mais uma ferramenta.

      Quais competências serão necessárias para a função tributária?

      A modernização da área tributária exige profissionais capazes de combinar conhecimento técnico com competências em dados, tecnologia, transformação e visão de negócios.

      Globalmente, os líderes em prontidão tributária são 16 vezes mais propensos a afirmar que possuem as habilidades necessárias para atender às demandas futuras: 63%, ante 4% entre as organizações menos maduras. Eles também são seis vezes mais propensos a relatar vantagem na atração e retenção de talentos de alta qualidade.

      No Brasil, 92% das organizações líderes afirmam possuir as competências necessárias para responder às demandas futuras. Além disso, 54% relatam vantagem na atração e retenção de profissionais qualificados.

      Os serviços gerenciados também contribuem para complementar capacidades internas. No Brasil, 92% dos líderes afirmam que esses serviços geraram alto valor para a função tributária no último ano, comparativamente a 46% entre as organizações menos maduras.

      Ao conectar estratégia, processos, tecnologia, dados, governança e pessoas, a prontidão tributária permite que a área de tributos responda com mais eficiência às mudanças e participe de forma mais ativa da geração de valor. Para as empresas, essa capacidade pode se traduzir em mais inovação, resiliência e vantagem competitiva.