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      Com o objetivo de avaliar a rentabilidade do setor elétrico brasileiro entre 2017 e 2024, a KPMG lança a sétima edição do estudo Valor Econômico Agregado (EVA), desenvolvido com o Instituto Acende Brasil.

      O cálculo do EVA permite reflexões com base no desempenho econômico dos segmentos de geração, transmissão e distribuição de eletricidade e na adequação de comandos regulatórios, como o Custo de Capital Regulatório estimado pela ANEEL, de acordo com a metodologia abaixo:

      • Seleção da amostra com base nas empresas mais representativas em cada segmento.
      • Cálculo do Lucro Operacional Líquido após Impostos (NOPAT).
      • Estimação do capital investido para cada empresa a cada ano.
      • Escolha e cálculo do custo de capital – WACC/CAPM.
      • Cálculo do Valor Econômico Agregado (EVA) por segmento.

      A estrutura básica para o cálculo do EVA baseia-se nas seguintes premissas:

      • A administração tem o dever de criar valor em um negócio/uma empresa para seus investidores.
      • Investidores tomam decisões com base em um retorno ajustado ao risco.
      • Há um nível mínimo de rentabilidade esperado pelos investidores, denominado encargo de capital.
      • Os investidores também podem retirar seu capital investido da empresa, uma vez que possuem alternativas de investimento.

      Sendo assim, o cálculo do Valor Econômico Agregado no setor elétrico envolve três parâmetros básicos: o retorno sobre o capital obtido em investimentos, o custo de capital para esses investimentos e o capital investido.

      Principais resultados de 2017 a 2024

      • O lucro operacional do setor foi positivo para todos os anos da amostra e apresentou um crescimento anual médio ponderado (CAGR) de 11,4%.
      • O crescimento significativo do NOPAT em 2021 está ligado ao aumento da inflação do ano, do preço de energia e do consumo de energia.
      • O capital investido apresentou CAGR de 7,8%.
      • Entre 2019 e 2020 houve uma pequena queda motivada pela reapresentação das demonstrações financeiras da Eletrobras.
      • O capital investido voltou a crescer em função da retomada do consumo pós-pandemia.
      • O NOPAT de 2022 não havia refletido o benefício dos novos contratos no intangível das empresas no montante considerado na avaliação que foi feita no processo de capitalização.
      • Em 2022 e 2023 foram realizados investimentos que ainda não haviam sido refletidos no lucro reportado.
      • Em relação aos resultados de 2024, observou-se que houve uma variação positiva de 7,0% no NOPAT, ao passo que o Capital investido cresceu 12,6%.

      Resultados do EVA da amostra completa para o setor

      • O EVA apresenta resultados negativos durante todo o período analisado, com um acumulado negativo de R$ 134 bilhões.
      • Considerando-se a inflação registrada na construção do custo de capital nominal, percebe-se a manutenção de uma rentabilidade econômica negativa, de modo que o retorno apresentado não é suficiente para remunerar adequadamente os investimentos aportados pelas empresas ao custo de capital investido.
      • O EVA de 2024 (25.106) retornou a patamares próximos ao EVA de 2022 (26.706), com maior spread econômico em relação a 2023.

      Conclusão

      Os resultados de 2017 a 2024 produziram um EVA negativo acumulado de R$ 134 bilhões. Os resultados apresentavam tendência positiva entre 2018 e 2030, oscilaram para baixo em 2021 e 2022, voltaram a subir em 2023, mas caíram novamente em 2024.

      A alocação de capital de 2024 não obteve um Retorno sobre o Capital Investido (ROIC) compatível, sendo afetado pelo impacto negativo de cortes forçados sobre os resultados obtidos por empresas que atuam com energia eólica e solar.

      Os números apresentados pela pesquisa devem ser analisados considerando os contextos empresariais e setoriais de cada resultado, sendo assim, recomendamos a leitura do relatório completo para uma compreensão plena deste assunto.