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      A prevenção de perdas tornou-se um dos pilares da competitividade do setor varejista brasileiro, de acordo com a Pesquisa Abrappe de Perdas no Varejo Brasileiro 2025, realizada pela KPMG e pela Abrappe (Associação Brasileira de Prevenção de Perdas).

      Com margens cada vez mais enxutas e um cenário dominado por grandes redes, e-commerce e complexidade logística, o controle de perdas representa a diferença entre lucratividade e prejuízo para as empresas do setor.

      O estudo mostra que o índice médio de perdas caiu de 1,57% no ano anterior para 1,51% em 2024, o que representa uma redução de 3,82% em termos percentuais. Ainda assim, o prejuízo total cresceu, atingindo R$ 36,5 bilhões.

      • 179 empresas participantes, em 24 estados.
      • 43% delas com faturamento anual acima de R$ 1 bilhão.
      • 95% mantêm o mesmo nível de atuação em prevenção de perdas.
      • 62% têm a área de prevenção de perdas integrada à estrutura de gerenciamento de riscos corporativos.

      Por que o valor das perdas aumentou mesmo com a queda percentual?

      Embora o percentual tenha recuado, o volume financeiro aumentou R$ 1,6 bilhão em relação a 2023.

      O principal motivo é a ampliação dos segmentos participantes: setores como pet, informática e utilidades domésticas. Com isso, o indicador percentual de perda foi impactado para baixo, já que esses segmentos apresentam níveis de perda menores. Dessa forma, o cenário atual do varejo se tornou mais representativo. A entrada desses segmentos ampliou significativamente o volume total de respondentes, proporcionando uma visão mais abrangente do mercado.

      Esse aumento reforça a importância de estratégias de prevenção integradas, que acompanhem a expansão dos canais de venda e a digitalização do consumo.

      Quais são as principais causas das perdas no varejo brasileiro?

      Cerca de 70% das perdas estão ligadas a quebras operacionais, furtos (internos e externos) e erros de inventário.

      As causas variam entre os segmentos:

      • Farmácias e drogarias: aumento de 38,9% nas perdas, impulsionado pelo roubo e furto de canetas de emagrecimento, dermocosméticos e produtos de alto risco (PAR).
      • Perfumarias: redução de 56,6% nas perdas, que pode estar atribuída à menor incidência de práticas ilícitas com os produtos comercializados, além de um controle mais rigoroso na exposição dos itens, por meio de formatos assistidos e personalizados.
      • Materiais de construção/home center: queda de 14,9% nas perdas, mas ainda com baixa acurácia qualitativa (aproximadamente 50%).
      • Atacarejos: aumento de 1,25% para 1,85%, impactado por novos serviços (delivery, autoatendimento, quiosques de alimentação).
      • Os furtos seguem como principal desafio transversal a todos os setores. Eles são agravados pela falta de investimento em tecnologias antifurto e pela exposição inadequada de produtos de alto valor.

      Como a acurácia de estoque influencia a prevenção de perdas no varejo?

      A gestão de estoques é um dos pilares da prevenção de perdas no varejo.

      O estudo mostra que o segmento de informática e telefonia apresentou o melhor desempenho, com índice de 99% de acurácia, enquanto o de materiais de construção apresentou queda de 15,99%.

      Duas métricas foram usadas:

      • Acurácia qualitativa: quando o estoque físico e sistêmico são idênticos;
      • Acurácia quantitativa: quando o nível de divergência é mínimo nos inventários cíclicos e totais.

      Empresas com processos contínuos de reposição e monitoramento de stock keeping unit (SKUs) alcançam maior precisão e reduzem rupturas. A boa acurácia resulta em melhor planejamento de compras, redução de desperdícios, diminuição de custos logísticos e aumento de vendas, inclusive no e-commerce.

      O que é ruptura comercial e operacional – e por que ela compromete as vendas?

      As rupturas comerciais ocorreram em média de 7,81%, e as operacionais em 5,10%, ambas com alta em relação a 2023.

      • Ruptura comercial: quando o produto não foi adquirido em volume suficiente ou não chegou à loja.
      • Ruptura operacional: quando o item está no estoque, mas não na gôndola.

      Essas falhas revelam lacunas de gestão e afetam diretamente o customer experience. A ausência de produtos nos pontos de venda, além de comprometer contratos de exposição, diminui a fidelização do cliente e a percepção de marca.

      O que é perda ampliada e por que ela indica maturidade na gestão?

      O conceito de perda ampliada marca um novo estágio na prevenção de perdas no varejo.

      Nele, as equipes não se limitam a controlar furtos e quebras, mas atuam de forma transversal e estratégica, colaborando com áreas de produtividade, supply chainjurídico e compliance.

      As empresas mais maduras expandem a atuação quando as perdas físicas já estão em níveis residuais.

      Indicadores de maturidade

      • 61% monitoram Net Promoter Score (NPS): 38,8% promotores, 14,3% detratores.
      • 30% ainda não realizam revisão de cadastro de produtos, o que impacta diretamente a confiabilidade das informações.

      Essa visão sistêmica permite proteger o caixa e maximizar a rentabilidade em contextos de forte concorrência e digitalização das vendas.

      Como a tecnologia está transformando a prevenção de perdas no varejo?

      A transformação digital é um dos eixos mais evidentes da pesquisa.

      Praticamente todas as empresas utilizam circuitos fechados de televisão (CFTV) e de identificação por radiofrequência (radio-frequency identification - RFID), que já são considerados recursos básicos.

      No entanto, o avanço está nas ferramentas de data analytics, dashboards low code, dados analíticos de vídeo (35,2%) e inteligência artificial (13,18%) aplicadas ao monitoramento em tempo real.

      Essas soluções possibilitam:

      • Identificar comportamentos anômalos no layout das lojas.
      • Automatizar alertas de risco.
      • Mapear padrões de perda por categoria ou região.
      • Apoiar decisões estratégicas com base em dados prescritivos e preditivos.

      A digitalização não apenas reduz perdas: ela gera insights sobre comportamento de compra e otimiza a operação como um todo.

      Quais são as tendências de prevenção de perdas no varejo para 2025?

      Os dados da Abrappe e da KPMG apontam cinco tendências principais:

      • Integração total com a governança de riscos corporativos: 62% das empresas já avançam nessa direção.
      • Uso crescente de IA e analytics para detecção automática de perdas.
      • Expansão da cultura de dados nas áreas de supply chain e estoque.
      • Adoção de indicadores de performance (KPIs) específicos para prevenção.
      • Fortalecimento da área como função estratégica, com reporte direto ao CFO ou CEO.

      O futuro da prevenção de perdas passa por automação, integração e inteligência contínua.

      Por que investir em prevenção de perdas no varejo é investir em rentabilidade?

      A prevenção de perdas no varejo deixou de ser apenas um controle de danos.

      Ela é hoje um diferencial competitivo, capaz de liberar capital, otimizar margens e fortalecer a reputação de marca.

      Cada ponto percentual de redução em perdas representa milhões em economia, que podem ser revertidos em inovação, treinamento e expansão.

      Empresas que unem dados, tecnologia e cultura organizacional estão mais preparadas para um varejo de alta complexidade e volatilidade.

      • Índice médio de perdas: 1,51%.
      • Total financeiro estimado: R$ 36,5 bilhões.
      • Redução percentual: 3,82%.
      • 95% das empresas mantêm atuação constante em prevenção.
      • 62% integram a área a riscos corporativos.
      • 13,18% já aplicam IA nas operações.

      Concluindo, vale ressaltar: mais do que uma métrica operacional, a prevenção de perdas no varejo é um pilar de sustentabilidade e vantagem competitiva.

      Maiores varejistas do País participaram do levantamento, respondendo sobre suas estratégias para a prevenção de perdas