A busca crescente por fusões e aquisições (M&A) e capital de expansão também se destacam. Nos últimos três anos, cerca de 500 empresas familiares realizaram aquisições — um número que ilustra a disposição dessas organizações em se reposicionar diante de mercados competitivos.
Vale destacar que 60% dos alvos de M&A são outras empresas familiares. Essa preferência não é aleatória: negócios familiares tendem a compartilhar valores, práticas de gestão e visões de longo prazo, o que facilita integrações culturais, acordos societários e sinergias operacionais.
Outro dado relevante é a presença mais forte de conselhos formais e membros independentes nos negócios familiares envolvidos em operações de M&A. Em 70% das aquisições mapeadas, as organizações compradoras possuíam conselhos estruturados. Ou seja, governança novamente aparece como um habilitador para que decisões de expansão não se tornem movimentos improvisados, mas sim estratégias coerentes com a ambição da família e com os desafios do mercado.
Esse ponto merece atenção especial: aquisições internacionais vão além de transações financeiras. Elas carregam implicações sobre estrutura de capital, sucessão, gestão de risco e visão de futuro.
O pano de fundo de todo esse movimento é o mesmo: a manutenção do protagonismo em um ambiente competitivo. Empresas familiares, por essência, carregam atributos valiosos, como velocidade de decisão, alinhamento entre propósito e estratégia, capacidade de reinvenção e conexão com comunidades locais.
No entanto, esses atributos só se traduzem em vantagem competitiva quando sustentados por governança, profissionalização, disciplina estratégica e compromisso com práticas sustentáveis.
É nesse equilíbrio que está a nova fronteira das empresas familiares. Crescer continua sendo importante — e sempre será. Mas o que distingue as organizações que prosperam é a qualidade desse crescimento: sua coerência, seu impacto, sua perenidade. Em um mundo em constante transformação, famílias empresárias que integram propósito, governança e estratégia permanecem relevantes e moldam o futuro de seus setores.
O estudo da KPMG não mostra “o que fazer”, mas evidencia que a alta performance está cada vez mais vinculada à maturidade institucional e à capacidade de pensar o futuro como um projeto coletivo, intergeracional e sustentável. Para as empresas familiares que desejam manter protagonismo, a mensagem é clara: crescer não basta. É preciso crescer bem.