O assédio no ambiente de trabalho é um desafio que vai além da identificação de comportamentos inadequados. Para as organizações, além de fortalecer culturas que mitiguem esses episódios, o ponto crítico também passa por aprimorar como esses comportamentos são percebidos, reportados e tratados ao longo do tempo.
E a Pesquisa Mapa de Assédio no Brasil 2025, elaborada pela KPMG, evidencia exatamente isso: o problema não está apenas na ocorrência dos casos, mas principalmente no silêncio que os cerca – e a dificuldade das organizações de compreender o que acontece.
Esse silêncio, como consequência, limita a capacidade das empresas de agir de forma preventiva, corrigir falhas culturais e proteger pessoas e reputação.
É neste cenário que os canais de denúncia assumem um papel central. Mais do que um requisito formal, eles são hoje uma peça estratégica no combate ao assédio, na gestão de riscos e no fortalecimento da cultura organizacional.
O que o Mapa do Assédio no Brasil revela sobre denúncia e silêncio
As discussões estão em evidência, os riscos aumentam drasticamente para a imagem e os negócios das empresas, mas, ainda assim, os dados do Mapa do Assédio mostram que o assédio está presente na rotina de trabalho de uma parcela significativa da população.
Ao todo, 31% dos respondentes afirmaram ter sofrido algum tipo de assédio nos últimos 12 meses, o que reforça que o problema não é pontual nem restrito a contextos específicos.
Apesar disso, o estudo também aponta que 38% das vítimas não reportaram o ocorrido. Ou seja, o desafio não está apenas em reconhecer que o assédio existe, mas em criar condições para que ele não seja subnotificado e possa ser comunicado de forma segura e confiável.
Mas não é apenas receber as ocorrências o que faz a diferença. Os números do mapa do Assédio no Brasil também ajudam a explicar por que o canal de denúncias precisa ser uma prioridade estratégica de gestão de risco dentro das organizações.
Por que canais improvisados falham no combate ao assédio
Em muitas empresas, o reporte de situações sensíveis ainda acontece por meios informais ou improvisados: conversas diretas com gestores, e-mails genéricos, caixas de sugestão ou canais que não foram desenhados especificamente para lidar com denúncias.
Mas com a falta de padrões, independência e confiança na comunicação, o resultado é que esse tipo de abordagem quase sempre costuma falhar por alguns motivos recorrentes, incluindo:
Falta de anonimato e proteção ao denunciante
Ausência de critérios claros para triagem e investigação
Risco de conflitos de interesse na apuração
Falta de rastreabilidade e registro estruturado
Ausência de indicadores para monitoramento e prevenção
Não por acaso, mesmo entre aqueles que decidiram denunciar, os dados revelam falhas relevantes: 58% afirmaram não ter se sentido seguros ao fazer o reporte, e 57% disseram não ter recebido retorno do canal ou órgão responsável.
Na prática, isso indica que, quando o canal não transmite confiança, ele deixa de funcionar como mecanismo de proteção e passa a reforçar o silêncio.
E isso impede que a organização mitigue os riscos e identifique padrões, antecipando brechas ou atuando de forma consistente na mudança cultural que a rotina demanda (e ninguém sabe).
O que caracteriza um canal de denúncias eficaz?
Os aprendizados da Pesquisa Mapa de Assédio indicam que a efetividade dos canais está diretamente relacionada à confiança que eles geram. Para isso, algumas características são fundamentais.
Anonimato e confidencialidade
A possibilidade de denunciar sem exposição é um dos fatores mais relevantes para incentivar o reporte. Canais eficazes garantem anonimato, proteção de dados e segurança da informação ao longo de todo o processo.
Independência
A gestão do canal deve estar livre de interferências hierárquicas ou conflitos de interesse. A independência é essencial para assegurar imparcialidade na triagem, investigação e tomada de decisão.
Acolhimento especializado
Denúncias de assédio envolvem aspectos sensíveis e exigem preparo técnico e humano. O acolhimento adequado, com profissionais capacitados, contribui para que o relato seja tratado com seriedade, respeito e empatia.
Governança e monitoramento
Além de receber denúncias, o canal precisa gerar dados estruturados. Indicadores, relatórios e acompanhamento contínuo permitem identificar padrões, avaliar riscos recorrentes e apoiar decisões estratégicas de prevenção.
Ao trazer esses elementos de forma estruturada, o canal de denúncias deixa de ser apenas um mecanismo reativo formal e passa a atuar como uma ferramenta real de gestão, integridade e cultura organizacional.
A tecnologia como aliada na estruturação dos canais de denúncia
Para operacionalizar esses princípios na prática, muitas organizações têm recorrido a soluções tecnológicas especializadas. Plataformas digitais, por exemplo, permitem centralizar relatos, padronizar fluxos, garantir rastreabilidade e oferecer maior transparência na gestão dos casos.
Nesse cenário, o KPMG Upright se apresenta como um modelo de canal de denúncias preparado para lidar não apenas com o recebimento das ocorrências, como também apoia empresas na construção de ambientes mais seguros e éticos.
Isso porque essa solução integra recebimento de relatos, gestão de casos, indicadores e governança, contribuindo para fortalecer programas de compliance e o combate ao assédio no ambiente de trabalho.
Ao estruturar o canal com apoio tecnológico, a organização aumenta a confiança no processo, reduz a subnotificação e amplia sua capacidade de atuação preventiva.
Pesquisa Mapa de Assédio: dados que orientam decisões práticas
A Pesquisa Mapa de Assédio no Brasil reforça que o enfrentamento do assédio passa, necessariamente, pela qualidade dos canais de escuta. Os dados mostram que silêncio, medo e desconfiança ainda são barreiras relevantes — e que canais frágeis ou improvisados não são suficientes para superá-las.
Ao conectar dados, cultura, liderança e estrutura de governança, o estudo oferece um ponto de partida concreto para que as empresas avaliem a maturidade de seus canais e avancem na construção de respostas mais eficazes.
Além disso, mostra que o problema (e as ameaças e à reputação e ao negócio) nascem com o assédio, mas se multiplicam ainda mais diante da incapacidade das organizações de captá-lo de forma estruturada.
Estruturar um canal eficaz, portanto, não é apenas uma boa prática. É uma condição essencial para transformar silêncio em informação e informação em decisão.
Quer aprofundar esse tema?
Acesse a Pesquisa Mapa de Assédio no Brasil e fale com nosso time para conhecer mais sobre o KPMG Upright e como ele pode ajudar sua empresa a avançar no combate ao assédio no ambiente de trabalho.