No processo de transição energética, mais do que ampliar a produção de fontes limpas, o desafio agora é garantir que a eletricidade esteja disponível exatamente quando o sistema elétrico precisar. Nesse contexto, a publicação da Portaria Normativa do Ministério de Minas e Energia que estabelece as diretrizes do primeiro Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência por meio de sistemas de armazenamento em baterias (LRCAP de 2026 – Armazenamento) representa um dos movimentos mais relevantes dos últimos anos para a modernização do setor. O certame está previsto para acontecer em dezembro.
Pela primeira vez, o Brasil cria um mecanismo estruturado para contratar em larga escala capacidade de armazenamento de energia elétrica. O País passa a reconhecer que baterias se tornam parte da infraestrutura estratégica para a segurança energética, ao armazenarem a eletricidade produzida em momentos de maior oferta e a devolverem ao sistema quando a demanda aumenta ou quando há redução na geração das fontes renováveis, especialmente, solar e eólica. É uma reserva inteligente, capaz de responder rapidamente às necessidades operacionais do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Essa característica torna o armazenamento uma peça indispensável em uma matriz elétrica cada vez mais renovável. Afinal, fontes como o sol e o vento oferecem enormes vantagens ambientais, mas têm uma característica inerente: são variáveis. A geração solar desaparece à noite. A intensidade dos ventos oscila ao longo do dia. Quanto maior a participação dessas fontes na matriz, maior também será a necessidade de mecanismos capazes de equilibrar oferta e demanda em tempo real.
É justamente esse equilíbrio que o leilão pretende fortalecer. Os projetos vencedores serão remunerados não pela energia vendida, mas pela disponibilidade de potência. O sistema pagará para que essas baterias estejam prontas para entrar em operação sempre que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determinar sua recarga ou descarga. Trata-se de uma lógica semelhante a de um seguro: espera-se utilizá-lo apenas quando necessário.