O setor de tecnologia mantém perspectivas positivas de crescimento e níveis elevados de investimento, mas enfrenta um desafio decisivo: transformar a adoção de inteligência artificial (IA) e outras tecnologias em valor mensurável e sustentável em toda a organização. É o que mostra a publicação KPMG Global Tech Report 2026: Technology, produzida pela KPMG. Participaram do estudo 155 líderes de empresas de tecnologia de diferentes países.
De acordo com o estudo, 95% dos entrevistados estão confiantes no crescimento da receita nos próximos dois anos, enquanto 92% registraram expansão nos últimos cinco anos. A disposição para investir também permanece elevada: 74% destinam mais de US$ 50 milhões por ano à tecnologia e 51% aplicam mais de US$ 100 milhões.
Os resultados indicam que o setor já consegue converter parte desses investimentos em benefícios concretos. Entre os respondentes, 83% afirmam ter gerado pelo menos US$ 50 milhões em valor digital nos últimos 12 meses, e 62% alcançaram mais de US$ 100 milhões.
Destaques
Quais são os principais desafios para escalar a IA?
A adoção de tecnologias como IA, nuvem, dados e segurança cibernética está próxima da universalização entre as empresas pesquisadas. Todos os respondentes já iniciaram iniciativas de IA e mais de 90% relatam implementações ativas nas principais áreas tecnológicas.
Entretanto, o avanço da adoção não significa que as organizações estejam conseguindo gerar retorno em escala. Para a maioria das empresas de tecnologia, a IA já representa entre 21% e 40% do valor digital total. Apesar disso, apenas cerca de 10% informam que a tecnologia proporciona retorno sobre o investimento (ROI) em múltiplos casos de uso e em escala.
O relatório aponta que o principal obstáculo deixou de ser o acesso à tecnologia ou a disponibilidade de recursos. A dificuldade está na execução, especialmente na capacidade de expandir as iniciativas de forma consistente por toda a organização. Desafios de integração, requisitos de risco em evolução e limitações relacionadas aos talentos também influenciam a velocidade dessa transformação.
Como os sistemas legados afetam o retorno da tecnologia?
A complexidade do ambiente tecnológico continua reduzindo os resultados obtidos pelas empresas. Para 60% dos entrevistados, os processos legados prejudicam o ROI em tecnologia. Outros 61% afirmam que seus planos tecnológicos se tornam rapidamente obsoletos em razão do ritmo acelerado das mudanças.
Nesse cenário, modernizar plataformas centrais, simplificar arquiteturas e reduzir a dívida técnica são medidas importantes para liberar capacidade de inovação. O desenvolvimento de estruturas modulares e dinâmicas também pode favorecer iterações mais rápidas e a implementação de aplicações nativas de IA.
Qual é o papel da governança no avanço da IA?
À medida que a tecnologia se integra mais profundamente aos produtos, às plataformas e às operações, também aumenta a exposição das organizações a riscos. Por isso, as empresas do setor apresentam níveis mais elevados de centralização em áreas como segurança cibernética e governança de IA, em comparação com organizações de outros segmentos.
O fortalecimento da governança deve ser acompanhado pela incorporação da confiança, da transparência e da responsabilidade desde a concepção das soluções. Segundo o estudo, essa abordagem permite que as empresas avancem com mais velocidade e segurança, transformando a IA responsável em uma vantagem competitiva, e não apenas em uma obrigação de conformidade.
Quais devem ser as prioridades dos líderes de tecnologia em 2026?
O estudo apresenta oito recomendações para as organizações que desejam elevar sua maturidade tecnológica e maximizar o retorno dos investimentos:
- Acelerar o aprendizado e tratar o conhecimento organizacional como um ativo estratégico.
- Tomar decisões de investimento orientadas por dados e evidências.
- Desenvolver equipes adaptáveis e uma cultura aberta à inovação.
- Qualificar profissionais e preparar líderes para usar e gerenciar a IA.
- Adotar uma mentalidade centrada em IA, com confiança desde a concepção.
- Fortalecer a base de dados e modernizar o ambiente tecnológico.
- Estabelecer alianças estratégicas voltadas à cocriação.
- Preparar-se para avanços como computação quântica, inteligência artificial geral (Artificial General Intelligence - AGI) e superinteligência artificial (Artificial Superintelligence - ASI).
Para capturar as oportunidades da Era da Inteligência, as empresas precisarão avançar da experimentação para a implementação em escala, redefinir suas métricas de retorno e equilibrar velocidade, controle e resiliência. Nesse contexto, a capacidade de execução será determinante para transformar investimentos contínuos em resultados replicáveis e vantagem competitiva.