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      Quando uma empresa capta recursos por meio de financiamentos incentivados, a leitura mais comum é tratá-los como qualquer outra dívida: registra-se o valor recebido, apropriam-se os juros contratuais e acompanha-se a amortização ao longo do tempo. É uma leitura simples, mas frequentemente incompleta.

      O ponto central é que um financiamento com taxa abaixo de mercado não é apenas um passivo. Ele carrega, embutido, um benefício econômico decorrente da diferença entre a taxa contratada e a taxa que a empresa pagaria em uma operação de mercado equivalente. E é justamente esse benefício que exige uma análise que vai além da simples contabilização da dívida.

      Onde o CPC 48 entra

      O CPC 48 trata da mensuração dos instrumentos financeiros. Na contratação de um financiamento com condições favorecidas, o passivo deve ser reconhecido inicialmente, em regra, pelo seu valor justo, e não pelo montante nominal recebido.

      Esse é o primeiro passo que muitas empresas não executam. Sem determinar o valor justo inicial do passivo, não é possível identificar o quanto do recurso recebido corresponde efetivamente à dívida e o quanto corresponde ao benefício da taxa subsidiada.

      A determinação desse valor justo, por sua vez, não é trivial. Ela depende da estimativa de uma taxa de mercado apropriada, considerando o risco de crédito da companhia, o prazo, a carência, as garantias, a moeda e demais características da operação. É um exercício técnico que combina julgamento, metodologia e documentação, e que raramente pode ser resolvido apenas com uma leitura contratual.

      Onde o CPC 07 entra

      Identificado o benefício econômico, entra o CPC 07. A diferença entre o valor recebido e o valor justo inicial do passivo é tratada como subvenção governamental.

      A partir daí, os dois efeitos passam a caminhar em paralelo, mas em ritmos próprios:

      • a dívida é atualizada pelo método da taxa efetiva de juros, o que normalmente gera uma despesa financeira superior ao juro contratual efetivamente pago em caixa;
      • a subvenção é reconhecida no resultado de forma sistemática, confrontada com os custos, despesas ou condições que pretende compensar.

      Esse é o motivo pelo qual o tema não pode ser lido isoladamente. Reconhecer a subvenção sem reconhecer a despesa financeira adicional produz uma leitura distorcida do resultado. E reconhecer a despesa financeira sem identificar a subvenção subestima o benefício econômico da operação. Os dois lados são partes da mesma análise.

      Por que a análise precisa ser integrada

      É aqui que fica evidente por que o tema não é apenas contábil, apenas de valuation ou apenas tributário.

      A leitura contábil (CPC 07 e CPC 48) define como reconhecer, mensurar e apresentar a operação. A mensuração de valor justo define quanto representa o benefício econômico e qual a despesa financeira decorrente. E a leitura tributária define qual o efeito fiscal de cada elemento, em cada período, considerando a evolução da legislação aplicável.

      Tratadas separadamente, essas três dimensões tendem a gerar conclusões parciais e, muitas vezes, inconsistentes entre si. Tratadas de forma integrada, permitem uma visão completa do impacto líquido da operação e uma posição efetivamente defensável perante auditores, fiscalização e demais partes interessadas.

      Como a KPMG apoia

      É exatamente nesse ponto que a atuação integrada faz diferença. A KPMG reúne, em uma única frente de trabalho, as competências necessárias para endereçar as três dimensões do tema:

      • Accounting Advisory, no enquadramento do CPC 07 e do CPC 48, no reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação, e na documentação técnica de suporte;
      • Valuation, na mensuração do valor justo dos financiamentos, na definição da taxa de mercado apropriada e na análise de sensibilidade das premissas;
      • Tax, na avaliação dos efeitos tributários históricos e prospectivos, considerando a legislação aplicável a cada período e a documentação necessária para sustentar a posição da companhia.

      Essa combinação permite transformar um tema que costuma ser tratado de forma fragmentada em uma análise única, consistente e documentada, capaz de identificar riscos, mensurar impactos e apoiar a companhia na tomada de decisão.

      Financiamentos subsidiados são, muitas vezes, tratados como uma simples questão de dívida. Na prática, são a interseção entre reconhecimento contábil, mensuração de valor justo e tratamento tributário. E é justamente por estarem nessa interseção que exigem uma análise integrada.


      Felipe O. Silva
      Gerente

      Victor Gomes Araujo
      Gerente Sênior

      Vinicius L. Andreatini
      Sócio-Diretor

      Mateus R. Carvalho
      Sócio-Diretor

      Julio C. Assis
      Sócio

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