A Pesquisa Fusões e Aquisições 2025 – 4º trimestre, realizada pela KPMG, revela que o mercado brasileiro de fusões e aquisições (mergers and acquisitions - M&A) encerrou o ano com 1.581 transações, praticamente em linha com 2024 (1.582 operações), uma variação negativa de apenas 0,1%.
O resultado demonstra resiliência em um ambiente marcado por juros elevados (15% ao ano), incertezas fiscais e instabilidade geopolítica. O principal movimento estrutural foi o avanço dos fundos de private equity e venture capital, que ampliaram sua participação de 43% para 50% das transações realizadas no ano.
O estudo traz dados de 43 setores da economia brasileira e reforça a expansão de transações voltadas à tecnologia, uma das áreas de maior interesse de fundos. O ticket médio também cresceu no período.
Como se comportou o mercado ao longo de 2025?
O desempenho anual refletiu duas dinâmicas distintas:
- Primeiro semestre: retração de 5%, diante de maior cautela e menor previsibilidade econômica.
- Segundo semestre: recuperação gradual, com retomada do apetite por risco e melhora do ambiente macroeconômico, apresentando um crescimento de 4%.
Por que os fundos ampliaram seu protagonismo?
Os fundos passaram a responder por metade das transações realizadas em 2025.
A reprecificação de ativos, em meio ao ciclo de juros elevados, criou oportunidades de aquisição a múltiplos mais atrativos, especialmente no setor de tecnologia.
A ampliação da participação de private equity e de venture capital consolida uma mudança relevante na dinâmica do mercado brasileiro de fusões e aquisições.
Quais setores alcançaram mais destaque?
- Tecnologia: manteve a liderança, concentrando cerca de 40% das transações.
- Serviços financeiros: alta de 52%, totalizando 209 operações, impulsionadas por fintechs.
- Energia: maior apetite internacional, com foco em transição energética.
- Agronegócio: consolidação e ganho de escala.
- Infraestrutura: venda de ativos maduros para financiar novos projetos.
Quais tendências estruturais moldaram as fusões e aquisições em 2025?
O mercado foi influenciado por vetores estruturais que devem permanecer relevantes:
- Transformação digital: a digitalização seguiu como motor transversal das transações, impulsionando ganhos de eficiência, consolidação de plataformas e integração de soluções baseadas em dados e inteligência artificial.
- Expansão de concessões e parcerias público-privadas (PPPs): o avanço de concessões e investimentos privados reforçou o protagonismo do capital privado na modernização logística.
- Nearshoring e reconfiguração das cadeias globais: a reorganização das cadeias produtivas fortaleceu o Brasil como destino estratégico para investimentos industriais e logísticos.
- Agenda regulatória e ESG: critérios ambientais e de governança ganharam centralidade na avaliação de riscos e oportunidades, especialmente no setor de energia.
- Reestruturação e revisões de portfólio: juros elevados e crédito restrito estimularam venda de ativos e desalavancagem, sobretudo em infraestrutura e agronegócio.
O que esperar para 2026?
O cenário para 2026 aponta para otimismo moderado, sustentado por:
- Inflação abaixo de 4%.
- Taxa básica de juros (Selic) projetada em 12,25%.
- Possível reabertura da janela de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs).
- Maior dinamismo do mercado de capitais.
Embora haja risco de volatilidade eleitoral no segundo semestre, a combinação de fundamentos mais estáveis e liquidez disponível sustenta a expectativa de maior atividade em fusões e aquisições.