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      O Brazil Mining Guide, guia produzido pela KPMG e pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), apresenta uma análise abrangente sobre o setor mineração no País, com foco em dados setoriais, ambiente regulatório, estrutura tributária, minerais críticos, questões ambientais, sociais e de governança (ESG) e perspectivas de investimento.

      Como demonstram os dados e insights da publicação, o setor de mineração no Brasil combina escala geológica, diversidade mineral, base exportadora consolidada e um fluxo relevante de investimentos, fatores que inserem o País em um contexto estratégico global.

      Por que o Brasil é estratégico para a mineração global?

      O Brasil ocupa posição de destaque entre os principais produtores minerais do mundo, com produção e comercialização de mais de 90 substâncias minerais.

      O País é líder global em nióbio e mantém posição relevante em minério de ferro, ouro, cobre, níquel, bauxita/alumínio, manganês, grafite, fosfatos, calcário e rochas ornamentais.

      Ao lado da Austrália, o Brasil responde por aproximadamente um terço das exportações globais de minério de ferro, reforçando seu papel estrutural nas cadeias globais de aço e infraestrutura.


      Destaques setoriais em 2025

      • R$ 298,8 bilhões em receitas (+10,3% em relação a 2024).
      • US$ 46 bilhões em exportações minerais.
      • US$ 37,6 bilhões de superávit mineral (55% do superávit total do Brasil).
      • 229.312 de empregos diretos (novembro de 2025).
      • R$ 7,9 bilhões arrecadados via Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).
      • O minério de ferro representou aproximadamente 52,6% das receitas e 63,3% das exportações minerais em 2025.

      Como a mineração contribui para o comércio exterior e a arrecadação?

      Em 2025, o setor de mineração no Brasil exportou aproximadamente 431 milhões de toneladas (+7,1% em volume do que em 2024), consolidando-se como pilar do superávit comercial brasileiro.

      A arrecadação tributária associada ao setor totalizou R$ 103,1 bilhões (+10,3% em comparação a 2024), além da CFEM, cuja arrecadação permaneceu concentrada em Minas Gerais (45%) e Pará (39%).

      Os dados indicam que o desempenho econômico e fiscal permanece fortemente ancorado em cadeias e polos produtivos específicos.

      Como o Brasil se posiciona em minerais críticos?

      A transição energética global vem ampliando a demanda por minerais críticos. Nesse contexto, o Brasil possui reservas relevantes de lítio, níquel, grafite, terras raras, manganês e cobre.

      O País detém as maiores reservas mundiais de grafite e nióbio. No caso do nióbio, responde por aproximadamente 92% da produção global, com cerca de 16 milhões de toneladas em reservas.

      Nos últimos cinco anos, os gastos em exploração de minerais de transição cresceram cerca de 240%; o crescimento dos volumes extraídos cresceram foi em torno de 40%.


      Pipeline de investimentos (2026–2030)

      • US$ 76,9 bilhões estimados em investimentos.
      • US$ 21,3 bilhões destinados a minerais críticos.

      Os dados indicam avanço em projetos de exploração, desenvolvimento de minas, processamento e refino.

      Como funciona o ambiente regulatório da mineração no Brasil?

      A regulação está ancorada na Constituição Federal e no Código de Mineração (Decreto-Lei n.º 227/1967). A União detém competência exclusiva para regular, conceder e fiscalizar direitos minerários, por meio da Agência Nacional de Mineração (ANM).

      Os dois principais regimes são:

      • Autorização de pesquisa: pode se estender por até quatro anos, sendo renovável por mais quatro.
      • Concessão de lavra: neste caso, a vigência é vinculada à vida útil da jazida.

      O sistema é centralizado e estabelece requisitos técnicos, financeiros e ambientais para a obtenção de títulos minerários. O Plano Nacional de Mineração 2025–2050 (PNM 2025–2050), atualmente em consulta pública, organiza a estratégia setorial em pilares como sustentabilidade, governança e uso responsável de recursos minerais.

      Qual é o regime fiscal e tributário aplicável?

      A mineração está sujeita ao regime tributário geral brasileiro, acrescido de encargos específicos.

      Principais tributos e encargos:

      • Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM): royalty calculado sobre a receita líquida obtida na comercialização do produto mineral, conforme regras específicas de apuração previstas na legislação.
      • Taxa de Fiscalização de Recursos Minerais (TFRM): tributo estadual incidente em determinados estados (como Minas Gerais, Pará, Amapá, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), destinado a financiar as atividades de controle, monitoramento e fiscalização das atividades de pesquisa, lavra e aproveitamento de recursos minerais.
      • Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): alíquota de 15% sobre o lucro tributável, acrescida de adicional de 10% sobre a parcela do lucro que exceder o limite legal trimestral.
      • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL): alíquota de 9% sobre a base de cálculo apurada nos termos da legislação fiscal.

      Desde 2024, o Brasil adotou regras de preços de transferência alinhadas às diretrizes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com base no princípio arm’s length.

      A partir de 2025, passou a vigorar no país a Qualified Domestic Minimum Top-up Tax (QDMTT). Trata-de se uma contribuição social adicional instituída para assegurar tributação mínima efetiva de 15% para grupos multinacionais com receita consolidada superior a 750 milhões de euros, em alinhamento ao Pilar 2 do projeto Base Erosion and Profit Shifting (BEPS) da OCDE.

      A Reforma Tributária será implementada gradualmente entre 2026 e 2033. As exportações permanecerão desoneradas da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), mantendo-se a não incidência sobre operações de exportação, conforme previsto no novo modelo.

      Como infraestrutura e energia apoiam o setor?

      O investimento em infraestrutura alcançou R$ 260,6 bilhões em 2024, com cerca de 80% proveniente do setor privado.

      Projetos ferroviários como o Ferrogrão e a Ferrovia Norte–Sul, entre outros, somam aproximadamente R$ 100 bilhões em investimentos projetados e visam reduzir gargalos logísticos.

      Em relação à matriz energética, o Brasil combina base mineral relevante com energia predominantemente renovável, elemento que reforça competitividade em cadeias associadas à descarbonização.

      Como evoluíram os padrões em ESG e segurança?

      O setor opera sob regras rigorosas de segurança de barragens e requisitos ambientais fortalecidos após eventos relevantes da última década. Em 2025, foi aprovada a Lei Geral de Licenciamento Ambiental (Lei 15.190/2025), estabelecendo marco nacional com padronização de procedimentos.

      Certificações voluntárias amplamente adotadas incluem:

      • Towards Sustainable Mining (TSM): iniciativa de desempenho em sustentabilidade desenvolvida originalmente pela Mining Association of Canada e adotada no Brasil pelo IBRAM, com foco em governança, relacionamento comunitário, gestão ambiental e segurança.
      • Initiative for Responsible Mining Assurance (IRMA): padrão internacional de certificação independente que avalia práticas ambientais, sociais e de governança ao longo do ciclo de vida da mineração.
      • Copper Mark: sistema de garantia voltado à produção responsável de cobre, baseado em critérios ambientais, sociais e de governança auditados por terceiros.
      • Aluminium Stewardship Initiative (ASI): padrão global que estabelece requisitos de sustentabilidade para toda a cadeia de valor do alumínio.

      A partir de 2026, companhias abertas e instituições financeiras reguladas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deverão divulgar informações financeiras relacionadas à sustentabilidade conforme as normas International Financial Reporting Standards (IFRS) S1 e S2, emitidas pelo International Sustainability Standards Board (ISSB), com exigência de asseguração independente.

      O que o Brazil Mining Guide demonstra?

      O Brazil Mining Guide evidencia que, em um contexto de transição energética e reorganização das cadeias globais, o Brasil mantém relevância estrutural como fornecedor mineral, combinando recursos geológicos, arcabouço institucional e agenda de investimento de médio e longo prazo.

      A mineração no Brasil combina escala, diversidade mineral, base exportadora consolidada, evolução regulatória e pipeline expressivo de investimentos – ou seja, é um setor rico em oportunidades e e com fundamentos estruturais que sustentam sua relevância no cenário global.

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