A COP30 chegou ao fim como já esperávamos: um misto de avanço e frustração. O documento final aceito pelos países presentes em Belém (PA) avançou de modo consistente em alguns temas essenciais, como adaptação, regeneração de ecossistemas, financiamento climático e integração entre clima e natureza. Contudo, não houve acordo para incluir a expressão “eliminação progressiva dos combustíveis fósseis”. Mas esse fato, que mostra que não temos acordo entre os mais de 190 países que deveriam assinar o documento final, não enfraquece os inúmeros ganhos de uma Conferência desse porte.
Essa COP aconteceu no momento no qual entendemos que dificilmente conseguiremos manter o aquecimento global médio até 1,5°C. O único país que poderia de fato mudar essa tendência seria a China, responsável pelo maior volume de emissões do planeta, resultado de uma produção em larga escala que satisfaz o consumo de todo o mundo. Mas também é responsável pelos principais avanços na transição para uma economia baseada em energia renovável e, inclusive, a China se comprometeu com espetaculares 7%-8% de redução de emissões até 2030, mas isso não será suficiente.
Assim, a menos que uma enorme coalisão de países consiga reduções expressivas, especialmente entre os 10 principais emissores – lista que o Brasil integra em função das queimadas e do mal uso da terra –, o aquecimento e os eventos extremos serão o nosso cotidiano. E foi justamente nesse tema que a COP30 resultou em uma grande novidade: cerca de 90 países se organizaram para uma agenda agressiva para eliminação dos combustíveis fósseis e se reunirão em março, na Colômbia, para tratar disso.
Outra frente que teve grande destaque foi o reconhecimento de que a saúde dos ecossistemas e das operações para a restauração deles serão críticas para estabilização climática e prosperidade socioeconômica. Assim, fundos bilionários foram formados para financiar este que deve ser um novo setor da economia, gerando milhões de empregos globalmente. O mesmo podemos dizer sobre projetos de adaptação urbanos, rurais e empresariais: eles serão parte integrante de qualquer plano de desenvolvimento.
A seguir, pontuamos os principais acordos anunciados e o que eles significam para as empresas.