Avaliação dos Riscos Físicos e de Transição
Empresas devem identificar riscos relacionados a eventos climáticos extremos e mudanças de longo prazo no clima. Sob a perspectiva contábil, isso implica revisar e potencialmente ajustar suas estimativas contábeis, incluindo aquelas mensuradas conforme o IAS 37 - Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes. Além disso, os riscos de transição, como mudanças políticas e tecnológicas, podem afetar a valoração de ativos e passivos, exigindo atenção sob o IFRS 13 - Mensuração do Valor Justo.
Avaliação Quantitativa e Qualitativa
É crucial quantificar o impacto financeiro potencial dos riscos climáticos, o que pode afetar a mensuração de ativos e passivos e a estimativa de fluxos de caixa futuros, segundo o IAS 36 - Redução ao Valor Recuperável de Ativos. As avaliações qualitativas, como impactos na reputação da marca e na demanda dos consumidores, embora menos tangíveis, podem ter implicações significativas para a continuidade do negócio e devem ser consideradas nas divulgações de gestão de riscos, conforme orientações do IFRS S1, que enfatiza a relevância de informações relacionadas a sustentabilidade na análise de riscos corporativos.
Alinhamento Estratégico e Contábil
Integrar a análise de risco climático na estratégia corporativa implica alinhar as políticas de sustentabilidade com os relatórios financeiros. Isso requer que a administração considere os impactos das mudanças climáticas de forma integrada às divulgações financeiras de sustentabilidade, conforme previsto no IFRS S1, que estabelece requisitos gerais para conectar essas divulgações às informações financeiras tradicionais, sem alterar as IFRSs contábeis existentes.
Transição para Energias Renováveis
A transição para energias renováveis pode envolver investimentos significativos em ativos imobilizados (IAS 16 - Imobilizado) e ativos intangíveis (IAS 38 - Ativos Intangíveis), com considerações sobre depreciação, amortização e potencial redução ao valor recuperável. Esses investimentos, frequentemente incentivados por benefícios fiscais, devem ser contabilizados adequadamente nas demonstrações financeiras.
Modernização da Infraestrutura e Parcerias Estratégicas
Investir em infraestrutura para energias renováveis e estabelecer parcerias estratégicas com fornecedores de energia sustentável exige uma análise contábil minuciosa. Isso inclui avaliar a necessidade de reconhecimento de tais investimentos como ativos, avaliar corretamente qualquer passivo associado e considerar eventuais impactos sobre ativos intangíveis, conforme as normas IFRS relevantes.
Monitoramento e Ajuste de Estratégias
Monitorar o progresso em direção às metas estabelecidas e estar preparado para ajustar estratégias com base em resultados e mudanças de mercado é essencial. Isso pode exigir revisões periódicas das premissas contábeis e dos julgamentos usados na preparação das demonstrações financeiras, especialmente em relação a estimativas de valor justo e depreciação.
A mitigação dos riscos relacionados às mudanças climáticas é um imperativo estratégico e contábil para as grandes empresas. A adoção de práticas alinhadas com o IFRS S2 e outras normas relevantes ajuda as empresas a divulgar de forma transparente os riscos climáticos e as estratégias relacionadas, reforçando seu compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade corporativa. Este alinhamento estratégico e contábil demonstra uma abordagem proativa e transparente no enfrentamento dos desafios das mudanças climáticas, fortalecendo a posição da empresa perante investidores, reguladores e outros stakeholders.