Já o Mapa do Assédio no Brasil 2024 apresenta um cenário que é ao mesmo tempo preocupante e revelador. Entre os 500 entrevistados, 30% afirmaram ter sofrido algum tipo de assédio nos últimos 12 meses, sendo que 92% das vítimas não relataram os casos! Aqui, a desconexão entre a presença de canais de denúncia e a percepção de segurança dos profissionais fica evidente.
Não é exagero afirmar que as organizações precisam ir além da criação de canais de denúncia. Embora a legislação seja clara — o assédio sexual é crime, conforme o artigo 216-A do Código Penal, e o assédio moral é abordado pelo artigo 146-A da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) —, o cumprimento de normas legais deve ser apenas o ponto de partida.
Os resultados de ambas as pesquisas não deixam dúvidas: há um longo caminho a percorrer na construção de espaços de trabalho mais seguros, diversos, inclusivos, saudáveis e propícios ao pleno desenvolvimento de todos.
A mitigação de comportamentos inadequados e o combate ao assédio precisam ser prioridades estratégicas para qualquer empresa que aspire a um ambiente ético e seguro. Mais do que cumprir leis, é necessário possibilitar condições para que as pessoas se sintam valorizadas e protegidas.
Investir em canais de denúncia e em boas práticas de compliance são passos na direção certa, mas insuficientes. As empresas precisam ir além do básico, transformando essas iniciativas em parte de uma cultura organizacional robusta e inclusiva.
Prevenir e combater o assédio é uma escolha estratégica que afeta o bem-estar dos colaboradores, a reputação da empresa e a forma como stakeholders enxergam a organização e com ela se relacionam.