Eliete, considerando as mudanças recentes no ambiente regulatório de divulgação ESG, as empresas devem incorporar nessa jornada de construção dos relatórios a estruturação de controles internos para suportar a integridade e a precisão das informações divulgadas?
Sem dúvida. À medida que divulgações ESG evoluem para a busca por maior transparência, conformidade com os requerimentos regulatórios e consistência com outras informações, será fundamental identificar quais são os riscos materiais relacionados às divulgações e se as organizações têm controles internos desenhados em um nível de precisão adequado para prevenir que um erro material ocorra.
De forma a apoiar as organizações na agenda de governança e controles internos sobre relatórios ESG, o COSO (que é uma organização sem fins lucrativos, dedicada a melhoria dos relatórios financeiros) emitiu um guia interpretativo para adoção de controles internos sobre relatórios de sustentabilidade, chamado “Internal Control over Sustentability Reporting (ICSR)”. O documento utiliza os mesmos componentes e princípios do COSO Internal Control Framework, globalmente utilizado pelas organizações para apoiar a construção do processo de elaboração e divulgação das demonstrações financeiras. Utilizando as diretrizes do COSO, alguns pilares importantes devem ser considerados nessa jornada de controles internos sobre relatório ESG:
- Governança sobre as divulgações ESG.
- Políticas e procedimentos para respaldar as informações financeiras e não financeiras utilizadas na construção dos relatórios.
- Controles gerais de Tecnologia da Informação, uma vez que as informações são geradas por diferentes sistemas e plataformas.
- Controles sobre dados processados por terceiros, lembrando que a responsabilidade final sempre será da Companhia que prepara o relatório final de sustentabilidade.
- Controles sobre as estimativas e premissas.
- Controles sobre a integridade e precisão dos dados internos e externos.
- Entre outros aspectos.
Nesse sentido, a adoção do COSO ICSR Framework apoiará as organizações no fortalecimento de governança, processos e controles sobre os relatórios de sustentabilidade, bem como mitigar os riscos de inconsistências nas informações divulgadas ao mercado.