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      Uma jornada em meio à complexidade

      Embora os CEOs se mostrem confiantes no futuro da economia global, suas visões sobre o que constitui um risco para seus negócios mudaram de forma significativa. O fluxo de instabilidades na política global, nas dinâmicas comerciais e nas relações internacionais exigiu um novo nível de resiliência dos CEOs. Eles estão reavaliando suas prioridades estratégicas, focando no surgimento de IA generativa, na gestão de talentos e nas altas expectativas dos stakeholders quanto à abordagem das questões ambientais, sociais e de governança (ESG).



      Os líderes empresariais estão enfrentando desafios e obstáculos ao crescimento em múltiplas frentes – desde incertezas geopolíticas e politização até expectativas crescentes dos stakeholders em relação a ESG e a adoção de IA generativa.

      O que me tranquiliza é que, apesar dos muitos desafios macroeconômicos e geopolíticos atuais, a confiança global de médio prazo permanece relativamente forte. Há um consenso de que podemos, com o tempo, voltar a um caminho de crescimento internacional sustentável de longo prazo.

      Para os CEOs, a oportunidade de promover o retorno a um planeta mais equitativo e bem-sucedido está bem à nossa frente. A chave para o sucesso será um foco inabalável no planejamento estratégico de longo prazo e um compromisso de evitar o perigo de uma liderança reativa e de curto prazo, que é sempre uma ameaça durante um período de profunda incerteza.

      Bill Thomas

      Chairman e CEO Global

      KPMG International



      Os CEOs estão reavaliando suas prioridades estratégicas, focando no surgimento de tecnologias disruptivas, gestão de talentos e nas expectativas cada vez maiores dos stakeholders em relação à abordagem das questões ambientais, sociais e de governança (ESG). Está cada vez mais latente também o papel da liderança orientada por propósito na promoção do crescimento em meio à incerteza e a importância de investir em IA generativa, considerando os desafios éticos e de segurança cibernética relacionados à essa tecnologia emergente.

      Charles Krieck

      Presidente

      KPMG no Brasil e na América do Sul



      A confiança na economia global permanece praticamente inalterada ano após ano, ultrapassando os níveis de confiança pré-pandemia. Quase três em cada quatro CEOs globais (73%) estão confiantes na economia dos próximos três anos, em comparação com os 71% do ano passado. Isso reflete uma clara resiliência e um foco coletivo em colocar o mundo de volta em uma trajetória de crescimento sustentável de longo prazo. No entanto, a confiança dos CEOs nas perspectivas de crescimento de suas próprias empresas está no nível mais baixo em três anos; no início de 2020, 85% dos CEOs estavam confiantes em relação às perspectivas de crescimento de suas empresas, em comparação aos 77% deste ano.

      Isso é acompanhado por uma mudança significativa no que os CEOs enxergam como riscos ao crescimento de seus negócios. Os CEOs agora classificam a geopolítica e a incerteza política como riscos maiores ao crescimento de seus negócios – seja navegando na presença de uma empresa em uma zona de conflito, seja tentando gerenciar cadeias de suprimento interrompidas ou lidar com flutuações de preços. Essa mudança indica que os CEOs estão cientes de que o risco geopolítico não é somente uma questão de curto prazo. Em um mundo geopoliticamente fragmentado, os CEOs geralmente se tornam players políticos de fato. Sua abordagem deve ser a de elevar a pauta política no conselho de administração, ao mesmo tempo em que cria estratégias que incluam insights especializados, planejamento de cenários e testes de estresse.

      Os CEOs enfrentam obstáculos de curto prazo para impulsionar o crescimento nos próximos 12 meses. Por exemplo: mais de três em cada quatro (77%) dizem que o aumento das taxas de juros e as políticas monetárias mais rígidas podem prolongar qualquer recessão potencial ou atual, enquanto nos próximos três anos, 77% acreditam que as pressões sobre o custo de vida impactarão negativamente a prosperidade de suas organizações.

      À medida que navegam em meio a esses desafios e respondem a eles, os CEOs reconhecem que demonstrar integridade pessoal é a chave para construir confiança, com a maioria (71%) dizendo que está preparada para desinvestir em uma parte lucrativa de seus negócios se isso estiver sendo nocivo à reputação deles. Conforme a geopolítica ganha destaque nas pautas dos conselhos de administração, 61% dos CEOs dizem que se posicionariam publicamente em relação a uma questão política ou socialmente controversa, apesar das preocupações do conselho de administração.

      A IA generativa é um tema cada vez mais discutido nos conselhos de administração, com os líderes buscando entender melhor seu potencial e como implementar essa tecnologia em suas estratégias de negócios. O desafio está em investir o dinheiro nos lugares certos e ter as habilidades adequadas para aproveitar ao máximo as oportunidades que ela oferece.

      Lisa Heneghan

      Chief Digital Officer

      KPMG International

      A inteligência artificial (IA) está transformando quase todas as áreas de atuação humana e está se inserindo cada vez mais em todos os aspectos da vida cotidiana, das empresas e da sociedade. À medida que ferramentas como Bard e ChatGPT ganharam destaque, os CEOs globais reconhecem cada vez mais o potencial aparentemente ilimitado da IA generativa e mantêm o pé no acelerador em termos de investimento e exploração dessa tecnologia.

      Os CEOs globais estão tornando a IA generativa uma prioridade de investimento. A pesquisa mostra que 70% estão investindo fortemente em IA generativa como sua vantagem competitiva para o futuro, com a maioria (52%) esperando ver um retorno sobre seus investimentos entre três a cinco anos. O aumento na lucratividade foi citado como o principal benefício da implementação da IA generativa dentro de uma organização (22%).

      De acordo com o nosso recente estudo KPMG global tech report, 55% das organizações disseram que o progresso rumo à automação foi adiado devido às suas preocupações em relação ao modo como os sistemas de IA tomam decisões.

      Apesar de estarem dispostos a avançar com seus investimentos, os CEOs globais reconhecem que as tecnologias emergentes podem trazer riscos que devem ser considerados. Cinquenta e sete por cento citam os desafios éticos como a principal preocupação quando se trata de implementar IA generativa, seguida de perto pela falta de regulamentações. À medida que o escrutínio e a regulamentação da IA aumentam, as organizações podem precisar de políticas e práticas que possam articular e aplicar com confiança.

      Os CEOs também estão enfrentando dificuldades com a forma como as tecnologias de IA aumentaram os riscos à segurança cibernética. Apesar de a IA poder ajudar na detecção de ataques cibernéticos, 82% acreditam que ela poderia também trazer novos perigos ao disponibilizar estratégias de ataque para adversários. Mesmo com toda a atenção dada à segurança cibernética nos últimos anos, mais de um quarto (27%) dos CEOs ainda não estão preparados para um possível ataque cibernético (em comparação aos 24% do ano passado), enquanto mais da metade (53%) dizem estar.

      É essencial que os CEOs liderem efetivamente, garantindo que suas organizações adotem estruturas de IA responsáveis e robustas e foquem na proteção e na governança.

      Os dados reforçam a enorme pressão sobre os CEOs para que eles tomem decisões rápidas sobre questões críticas. A disputa por talentos pode ter diminuído neste período de incerteza econômica, mas as evidências sugerem que uma abordagem única para o retorno ao escritório pode ser prejudicial.

      Nhlamu Dlomu

      Líder global de pessoas

      KPMG International

      O cenário global desafiador deste ano enfatiza as pressões que os CEOs sentem para tomar decisões sobre uma variedade de questões críticas – e elas afetam o modo como os CEOs planejam apoiar e atrair talentos nos próximos três anos.

      Em particular, os CEOs globais estão firmes em sinalizar seu apoio aos modelos de trabalho anteriores à pandemia, com a maioria (64%) antecipando que o pleno retorno ao escritório está a apenas três anos de distância. Isso permanece consistente com as opiniões deles no CEO Outlook de 2022. Além disso, 87% dos CEOs afirmam estar propensos a recompensar funcionários que se empenham para ir ao escritório, com atribuições mais favoráveis, aumentos ou promoções.

      Esse sentimento enfatiza a persistência, entre os CEOs, do pensamento tradicional centrado no escritório. Isso vem no contexto de um debate acerca do trabalho híbrido, que teve um impacto consideravelmente positivo sobre a produtividade nos últimos três anos e tem forte apoio dos funcionários, sobretudo entre a geração mais jovem de trabalhadores. À medida que as organizações continuam a implementar seus planos de retorno ao escritório, é crucial que os líderes adotem uma visão de longo prazo, que acolha a proposta de valor do funcionário e englobe as considerações e necessidades das pessoas, para garantir que o talento seja cultivado e apoiado.

      Embora haja um alinhamento amplo sobre a importância da inclusão, da diversidade e da equidade (IDE), continua a existir uma preocupação com a velocidade do progresso. Dois terços dos CEOs globais (66%) afirmam que o progresso em inclusão e diversidade tem sido lento demais no mundo dos negócios e a maioria (72%) acredita que alcançar a diversidade nos locais de trabalho requer mudanças em nível de liderança sênior.

      Apesar da crescente incerteza econômica e política, as constatações mais recentes da pesquisa refletem um maior senso de resiliência e foco dos CEOs em ESG. Com contínuas pressões financeiras e geopolíticas à frente, será um teste de resistência para muitos CEOs, mas os dados mostram que a maioria dos executivos de alto nível está agora totalmente a bordo, reconhecendo que ESG não é um “extra opcional” para negócios bem-sucedidos e sustentáveis.

      John McCalla-Leacy

      Líder global de ESG

      KPMG International

      Os fatores ESG estão sendo cada vez mais reconhecidos pelos CEOs pelo que eles são: uma parte indispensável de suas estratégias corporativas, que ajuda a garantir que seus negócios sejam resilientes e possam ter crescimento a longo prazo, mesmo diante de inúmeros desafios geopolíticos e econômicos.

      Apesar de uma discussão polarizada acerca do termo ESG, os CEOs reconhecem que ele continua sendo parte integrante de suas operações de negócio e estratégias corporativas – e estão adotando uma abordagem baseada em resultados. Mais de dois terços (69%) dos CEOs globais incorporaram plenamente os fatores ESG às suas empresas como meio de gerar valor. Também é importante observar que 35% dos CEOs afirmam ter mudado a linguagem que utilizam para se referir ao ESG, tanto internamente quanto externamente, refletindo uma mudança no diálogo sobre esse tema e sinalizando uma tendência rumo à priorização das áreas que mais fazem sentido para suas organizações.

      Embora os CEOs globais acreditem que ainda estão a alguns anos de ver um retorno sobre seus investimentos em ESG, eles reconhecem a importância que isso tem para seus clientes e suas marcas. Aproximadamente um quarto (24%) acredita que, nos próximos três anos, ESG será o fator de maior impacto sobre os relacionamentos com os clientes; outros 16% acreditam que isso ajudará a construir a reputação da marca.

      Os CEOs globais estão atentos às novas regulamentações e à mudança na política quando se trata de ESG. Apesar disso, 68% indicam que seu atual progresso em relação aos fatores ESG não é forte o suficiente para resistir a uma análise minuciosa por parte de seus stakeholders ou acionistas. A dificuldade de equilibrar o progresso em ESG com o crescimento dos negócios é reforçada pelo nosso estudo ESG Assurance Maturity Index, no qual mais da metade dos executivos seniores que se consideram prontos para a asseguração em ESG afirmaram ser um desafio equilibrar as metas de asseguração com as expectativas de lucro dos acionistas.



      Explorando oportunidades de crescimento

      Tecnologia

      • Adote a IA generativa de uma forma ética, que faça sentido para o negócio e mantenha as necessidades de seus funcionários e clientes em primeiro plano.

      • Mantenha-se atualizado sobre as estratégias de ataques cibernéticos, para que você e seus funcionários não exponham a empresa a riscos.

      Talentos

      • Adote uma visão de longo prazo em relação ao desejo dos funcionários de trabalhar em modelo híbrido ou remoto, para garantir que os talentos sejam cultivados e apoiados.

      • Defina o tom a partir do topo. A alta liderança deve tornar a IDE uma prioridade declarada, com estabelecimento de metas reais, financiando iniciativas e nomeando gestores para liderar programas com responsabilidades claras.

      ESG

      • Posicione os fatores ESG como impulsionadores para a geração de valor quando se trata de crescimento dos negócios, e não como um risco a ser gerenciado. Novos caminhos se abrem quando o ESG é inserido na conversa sobre crescimento.

      • Esteja atento às mudanças nas regulamentações ESG para ajudar a manter a reputação da marca e os relacionamentos com os clientes.

      • Concentre os investimentos de ESG em áreas alinhadas aos seus valores e aos valores da empresa.



      Metodologia

      Sobre o KPMG 2023 CEO Outlook 

      A nona edição do KPMG CEO Outlook, realizada com 1.325 CEOs entre 15 de agosto e 15 de setembro de 2023, proporciona insights únicos sobre o mindset, as estratégias e as táticas de planejamento dos CEOs.

      Todos os respondentes têm receitas anuais acima de US$ 500 milhões e um terço das empresas pesquisadas tem receitas anuais superiores a US$ 10 bilhões. A pesquisa incluiu líderes de 11 mercados (Alemanha, Austrália, Canadá, China, Espanha, Estados Unidos, França, Índia, Itália, Japão e Reino Unido) e 11 setores-chave da indústria (gestão de ativos, automotivo, bancário, consumo e varejo, energia, infraestrutura, seguros, life sciences, manufatura, tecnologia e telecomunicações).

      OBSERVAÇÃO: Alguns números podem não somar 100% devido ao arredondamento.