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      Como incorporar gestão de riscos para acelerar a transformação digital e aumentar o ROI

      As organizações estão sob pressão contínua para se transformar — mais rápido, com maior frequência e em maior escala — para permanecer competitivas em meio à incerteza econômica e às rápidas mudanças tecnológicas. Hoje, transformação não é um programa pontual. Ela abrange uma ampla gama de mudanças, desde o redesenho dos modelos de entrega de serviços ou produtos até grandes transformações digitais e de nuvem, integrações de fusões e aquisições, mudanças no modelo operacional e a introdução de modelos de trabalho híbridos, com colaboração entre pessoas e máquinas, viabilizadas pela inteligência artificial (IA).

      Para a maioria das organizações, essas mudanças não acontecem de forma sequencial ou isolada. É cada vez mais comum ter múltiplas iniciativas de transformação em andamento simultaneamente, muitas vezes atravessando unidades de negócio, funções e geografias, e executadas por meio de uma combinação de programas centralizados e descentralizados. Como resultado, a mudança empresarial tornou-se contínua e dinâmica — tornando menos nítida a fronteira entre “operar” e “mudar”.

      Essa realidade está remodelando fundamentalmente o cenário de riscos. A transformação introduz riscos novos e em evolução nas áreas de operações, tecnologia, dados, força de trabalho, regulamentação e reputação. Ainda assim, muitas organizações continuam gerenciando riscos por meio de modelos concebidos para projetos pontuais e lineares — tratando a gestão de riscos como uma atividade posterior, focada em conformidade, em vez de uma capacidade estratégica incorporada à forma como a mudança é concebida e executada. Quando o risco é abordado tarde, as organizações enfrentam surpresas evitáveis, perda de valor, retornos atrasados e erosão da confiança das partes interessadas.

      O desafio é agravado pela escala e pela velocidade das demandas atuais de modernização. Pesquisas da KPMG nos Estados Unidos mostram que a maioria das empresas conduz múltiplos esforços significativos de transformação em paralelo, aumentando as interdependências e ampliando os riscos caso os problemas sejam identificados tarde demais. Nesses ambientes, a gestão reativa de riscos já não é suficiente. As organizações precisam de abordagens de gestão de riscos que operem continuamente, atravessem silos e acompanhem as mudanças em curso.

      Essa necessidade se torna ainda mais urgente à medida que a IA acelera a transformação. Iniciativas orientadas por IA aumentam tanto a velocidade da mudança quanto as consequências de uma falha — elevando a importância da governança, dos controles e da confiança. Ao mesmo tempo, a IA também está mudando a própria forma como a gestão de riscos pode ser executada, permitindo abordagens mais integradas, em tempo real e voltadas à antecipação de cenários.

      O imperativo, portanto, não é simplesmente “gerenciar melhor os riscos”, mas incorporar a gestão de riscos à transformação desde sua concepção — alinhada à estratégia de negócios, integrada à tomada de decisões e ativa durante todo o ciclo de vida da mudança. Quando a gestão de riscos é posicionada como um facilitador, e não como uma restrição, as organizações podem avançar mais rapidamente com confiança, tomar decisões mais ousadas e acelerar a realização de valor em seus portfólios de transformação.

      A seguir, exploramos como isso pode funcionar na prática — definindo como é o sucesso quando a gestão de riscos está plenamente integrada à transformação e como as organizações líderes estão fazendo isso atualmente.


      Como as organizações podem acelerar o valor da transformação incorporando práticas de gestão de riscos desde a concepção?

      As organizações que incorporam uma gestão proativa de riscos aos programas de transformação fazem mais do que evitar interrupções — elas aceleram a geração de valor, melhoram a tomada de decisões e constroem confiança com rapidez. Quando as considerações de risco são integradas desde cedo e de forma contínua — apoiadas por automação, dados e capacidades habilitadas por IA — a gestão de riscos se torna um catalisador para uma transformação bem-sucedida, em vez de um controle posterior.

      As estratégias interconectadas a seguir ilustram como incorporar o risco desde a concepção — e como organizações líderes estão utilizando essas abordagens atualmente para acelerar resultados em transformações complexas e simultâneas.
       

      1. Identifique e trate os riscos desde cedo, antes que causem interrupções

      Uma abordagem “orientada à antecipação de riscos” identifica questões críticas cedo, quando são mais fáceis e menos custosas de resolver. Em vez de reagir a surpresas no meio do caminho, as organizações podem desenhar medidas de mitigação na transformação desde o início — reduzindo retrabalho, atrasos e decisões de última hora.

      Destaque: como evitar uma interrupção na etapa final de uma implementação do Workday

      Um cliente estava passando por uma transformação significativa do Workday, migrando de um sistema de recursos humanos mais antigo. Entretanto, seis a nove meses após o início do projeto, ficou evidente que a integração do sistema de identidade com o Workday não havia sido planejada adequadamente, colocando em risco toda a entrada em produção do Workday. Essa falha criou uma crise na qual o diretor de segurança da informação (CISO) precisou urgentemente de ajuda para evitar uma grande interrupção no acesso dos usuários.

      A KPMG foi chamada para realizar uma intervenção crítica, conduzindo uma análise rápida de requisitos e desenhando a integração necessária entre o Workday e a ferramenta de identidade do cliente. Essa “missão de resgate” permitiu que o Workday entrasse em operação sem interromper os processos existentes de provisionamento de acesso dos usuários. A experiência reforçou a importância vital de integrar considerações de cibersegurança, especialmente gestão de identidade e acesso, muito mais cedo em grandes transformações de ERP. Posteriormente, a equipe do Workday e os clientes reconheceram esse valor, levando a KPMG a participar mais cedo de projetos futuros para tratar proativamente possíveis problemas posteriores, evitando surpresas dispendiosas e retrabalho.
       

      2. Aumente a eficiência de custos e prazos incorporando o risco a todo o processo


      Quando a gestão de riscos é incorporada desde o início, as organizações podem eliminar controles de processo redundantes, concentrar esforços onde eles mais importam e evitar correções caras posteriormente. A identificação antecipada de riscos reduz estouros de orçamento, encurta prazos e melhora a eficiência do capital.
       

      3. Incorpore conformidade, segurança e qualidade desde a concepção


      Tratar conformidade e qualidade como elementos fundamentais da concepção — e não como pontos de verificação aplicados somente após o desenvolvimento — permite resultados confiáveis desde a concepção. Essa abordagem reduz a necessidade de remediação, melhora a prontidão regulatória e reforça a confiança em novos sistemas e processos.

      Destaque: confiança desde o primeiro dia em uma transformação no setor de serviços financeiros

      Para uma empresa de serviços financeiros que realizava uma transformação digital para construir um novo sistema de originação de clientes, a solução Blaze, da KPMG, incorpora proativamente práticas de gestão de riscos desde a base. Em vez de processos manuais tradicionais, a Blaze incorpora diretamente aos seus modelos os requisitos específicos de conformidade regulatória, as estruturas de desenvolvimento e as políticas de controle do cliente. Isso ajuda a fazer com que o código gerado esteja inerentemente aderente aos padrões de segurança e arquitetura exigidos, evitando violações e promovendo a conformidade desde o início.

      O modelo de desenvolvimento com agentes da Blaze permite revisões de segurança em tempo real e identificação instantânea de vulnerabilidades na base de código. Ao integrar o risco diretamente ao fluxo de desenvolvimento, a Blaze transforma a gestão de riscos de uma verificação reativa de conformidade em uma parte nativa e contínua do processo — evitando retrabalho dispendioso e acelerando a transformação digital.
       

      4. Agilize a tomada de decisões com mais segurança


      Quando os líderes têm clareza sobre apetite a risco, contrapartidas e contingências, a tomada de decisões se acelera. As equipes passam menos tempo questionando decisões e mais tempo executando — alinhando investimentos e recursos às prioridades estratégicas com confiança.

      5. Alinhe as decisões de transformação à estratégia e à geração de valor


      A gestão de riscos não trata apenas de evitar perdas. Quando alinhada à estratégia de negócios, ela permite que as organizações assumam os riscos certos — fazendo apostas mais inteligentes, protegendo retornos e assegurando que os investimentos em transformação entreguem o valor pretendido.

      Destaque: como a gestão preditiva de riscos alinhou a transformação de um sistema de informações de clientes aos objetivos de negócio de uma empresa de serviços essenciais

      Quando uma das maiores empresas de serviços públicos de capital aberto iniciou um complexo programa de reestruturação da plataforma de atendimento ao cliente para implementar um novo sistema de informações de clientes SAP, a KPMG atuou como consultora de garantia da qualidade, empregando uma abordagem holística de gestão de riscos centrada em governança reestruturada, alinhamento ao negócio e verificação da solução técnica.

      Ao se concentrar na gestão preditiva de riscos, a equipe da KPMG identificou potenciais problemas antes que eles se concretizassem, fornecendo insights orientados por dados que permitiram à liderança tomar decisões informadas. Essa abordagem proativa apoiou, em última instância, uma transformação entregue dentro do prazo e do orçamento, alinhada à visão estratégica da empresa de ajudar os clientes a fazerem escolhas de energia mais limpa, alcançar excelência operacional e ampliar a confiança dos clientes.
       

      6. Fortaleça a confiança e a adesão das partes interessadas


      Uma gestão de riscos visível e proativa constrói credibilidade junto a conselhos, reguladores, colaboradores e clientes. Quando as partes interessadas confiam que os riscos são compreendidos e gerenciados, as transformações ganham impulso — e a adoção acompanha esse movimento.
       

      7. Desenvolva agilidade e resiliência em um ambiente de mudanças contínuas


      Em ambientes nos quais múltiplas transformações acontecem em paralelo, as organizações precisam ter capacidade de adaptação rápida. Monitoramento contínuo de riscos, planejamento de cenários e ciclos de feedback permitem que as equipes mudem de direção quando as premissas se alteram — mantendo as transformações no caminho certo em meio à incerteza.
       

      8. Promova a melhoria contínua integrando riscos com o apoio da IA


      As organizações líderes estão cada vez mais utilizando IA e automação para integrar o risco diretamente aos fluxos de trabalho — passando de revisões periódicas realizadas após os fatos para orientações em tempo real que melhoram os resultados enquanto o trabalho acontece.

      Destaque: adoção de IA na força de trabalho com foco em valor e riscos incorporados desde o início

      Uma empresa de serviços iniciou uma transformação de força de trabalho baseada em IA com o objetivo de implementar agentes de IA em funções-chave. Inicialmente, o foco estava principalmente nos ganhos de eficiência. Entretanto, ao integrar desde cedo uma mentalidade orientada a valor e um modelo multidimensional de decisão que incluía explicitamente risco e complexidade no planejamento, a empresa identificou proativamente possíveis problemas.

      Em vez de tratar o risco como uma consideração posterior, a empresa o incorporou desde o início, considerando elementos essenciais como risco cultural, experiência dos colaboradores e privacidade de dados, juntamente com a implementação tecnológica. Essa abordagem proativa de gestão de riscos aumentou a confiança interna para avançar rapidamente e tornou a segurança e a conformidade componentes fundamentais desde a concepção.

      Como resultado, a empresa ampliou a confiança das partes interessadas, evitou retrabalho dispendioso e acelerou a adoção bem-sucedida e a realização de valor de seus agentes de IA promovendo agilidade e resiliência empresarial no longo prazo. A abordagem permitiu implementar soluções de IA que não eram apenas eficientes, mas também confiáveis e sustentáveis, minimizando impactos negativos sobre colaboradores e reputação.
       


      Como a gestão de riscos apoiada por IA e integrada desde a concepção pode favorecer o sucesso da transformação


      Para uma empresa líder em plataformas empresariais voltadas à gestão do relacionamento com clientes, garantir confiança contínua enquanto acelerava o desenvolvimento de produtos era um desafio importante. Seu processo de riscos existente envolvia a revisão manual de 200 páginas de especificações de produtos — uma abordagem demorada e “realizada após os fatos” que criava atrito e desacelerava a inovação.

      Para enfrentar isso, a abordagem foi desenvolver um agente de IA projetado para incorporar a avaliação de riscos diretamente ao fluxo de desenvolvimento. Esse agente agora realiza análises em tempo real das especificações de produtos, fornecendo feedback imediato aos engenheiros enquanto eles desenvolvem.

      Essa mudança estratégica transformou a avaliação de riscos de um gargalo em um acelerador, transferindo-a de uma etapa de aprovação “realizada após os fatos” para uma função proativa e incorporada em tempo real. O cliente agora pode se beneficiar de uma redução significativa de atrito e de ciclos de desenvolvimento mais rápidos, permitindo atender aos padrões de governança corporativa sem sacrificar velocidade.

      Ao medir o sucesso pelo uso e engajamento do agente, e não apenas pelos riscos identificados, a área de riscos tornou-se uma parceira geradora de valor, reforçando o compromisso da organização com confiança e velocidade competitiva. Isso demonstra como o risco, quando incorporado à transformação por meio da IA, torna-se um facilitador de velocidade e confiança.
       

      Acelere a geração de valor da transformação:
      8 passos fundamentais
       

           1. Defina com clareza o apetite a risco e a visão, começando pela liderança.

           2. Envolva os líderes de risco na estratégia e na concepção.

           3. Incorpore o risco à estrutura e às responsabilidades de governança.

           4. Realize o planejamento de cenários e testes de estresse.

           5. Use tecnologias avançadas, como IA e agentes, de forma intencional.

           6. Integre as medidas de mitigação de riscos aos planos e orçamentos dos projetos.

           7. Promova a comunicação aberta e uma cultura de riscos.

           8. Monitore, adapte-se e aprenda continuamente.

       


      Etapas essenciais para acelerar a geração de valor da transformação

      Defina com clareza o apetite a risco e a visão, começando pela liderança.

      No início do planejamento da transformação, a liderança deve definir o apetite a risco da organização no contexto dos objetivos da transformação. Quanto risco financeiro, operacional, tecnológico e reputacional a organização está disposta a assumir para alcançar a mudança desejada? Por exemplo, o objetivo é ser uma pioneira na adoção de novas tecnologias, com maior risco de inovação, ou uma seguidora rápida, com menor tolerância ao risco? O alinhamento entre alta liderança e conselho de administração é inegociável.

      Comunique uma “visão orientada por risco” para a transformação: enfatize que o sucesso inclui atingir os objetivos e gerenciar os riscos dentro de limites aceitáveis. Esse tom vindo da liderança dá às equipes liberdade para sinalizar problemas sem sentir que estão colocando o projeto em risco. Também ajuda a equilibrar o entusiasmo pela mudança com a prudência: todos sabem que o norte é uma transformação sustentável e confiável, e não mudar a qualquer custo.
       

      Envolva os líderes de risco na estratégia e na concepção.

      Traga o diretor de riscos (ou cargo equivalente) e os líderes de gestão de riscos para a equipe central de transformação desde cedo. Eles devem participar da formulação da estratégia e das oficinas de concepção — não como opositores, mas como parceiros estratégicos.

      Ao envolvê-los, você garante que a identificação de riscos comece junto com a ideação, e não depois. Faça uma avaliação inicial de riscos do plano de transformação: o que poderia impedir o sucesso? Considere riscos estratégicos, operacionais, tecnológicos, financeiros e externos. Mapeie esses riscos e discuta abordagens de mitigação durante a fase de design.

      Esse exercício, essencialmente um “pré-mortem”, ou análise antecipada de possíveis falhas, força a equipe a enfrentar desafios potenciais cedo. É muito mais fácil desenvolver soluções ou ajustar o plano antes de investir recursos significativos. Por exemplo, se um risco crítico for a falta de talentos para operar novos sistemas de IA, um programa de treinamento ou plano de contratação pode ser incorporado ao roteiro. Estabeleça responsáveis pelas principais áreas de risco, atribuindo executivos a categorias de risco para que a responsabilização seja clara durante todo o projeto.

      Incorpore o risco à estrutura e às responsabilidades de governança

      Garanta que a governança da transformação incorpore explicitamente as atividades de gestão de riscos. Isso pode significar ter uma frente de trabalho de Risco ou um Comitê de Riscos como parte da estrutura do programa, ou simplesmente tornar a discussão de riscos um item permanente da pauta das reuniões do Comitê Diretor.

      As principais decisões do programa devem passar por uma “avaliação de impacto de risco” antes da aprovação. Por exemplo, ao avaliar uma mudança de fornecedor ou de escopo do projeto, considere formalmente as implicações de risco.

      Dê autonomia a um coordenador ou responsável central por riscos dentro do PMO para coordenar as atividades de risco entre as frentes de trabalho. Essa pessoa mantém o registro de riscos, coordena as equipes na identificação de novos riscos ou encerramento de mitigações e reporta regularmente aos patrocinadores executivos.

      Além disso, alinhe funções de segunda linha, como compliance, jurídico, segurança e auditoria interna, para apoiar a transformação. Seus papéis e pontos de controle devem estar definidos no plano do projeto, evitando corridas de aprovação de última hora. Em essência, incorpore os pontos de controle de conformidade e risco ao cronograma do projeto.

      O surgimento da IA agêntica está mudando fundamentalmente esse paradigma, permitindo a dissolução de silos organizacionais tradicionais, uma vez que “agentes não se restringem a uma única área funcional” e operam além das fronteiras departamentais. Isso possibilita migrar de avaliações de risco posteriores aos fatos, como extensas revisões documentais, para feedback de risco em tempo real e integração direta na primeira linha de atuação do negócio. Processos que antes envolviam semanas de revisão manual podem agora ser automatizados por agentes que fornecem insights imediatos, incorporando o risco diretamente ao fluxo de trabalho.
       

      Realize o planejamento de cenários e testes de estresse

      À medida que o plano de transformação se consolida, conduza exercícios de planejamento de cenários com a equipe. Pergunte “E se...?” para diferentes cenários adversos. Para cada cenário, avalie o impacto e defina planos de contingência ou medidas preventivas.

      Se você estiver consolidando operações em um único megacentro de distribuição, qual seria o plano se esse local fosse atingido por um desastre natural? Talvez seja necessário manter um segundo local ou contratar um seguro. Faça testes de estresse do plano diante desses cenários. Ainda conseguiríamos atingir nossos objetivos centrais? Caso contrário, ajuste o plano ou incorpore salvaguardas.

      Essa prática, comum na gestão de riscos, é extremamente valiosa para grandes projetos, mas frequentemente é deixada de lado na pressa de executar. A equipe executiva também deve insistir em projetos-piloto ou implementações em fases para testar conceitos de forma controlada e aprender sobre os riscos.

      Trate os pilotos não apenas como testes de tecnologia ou processo, mas observe explicitamente quais riscos surgem e como lidar com eles. Use esses aprendizados para aprimorar a implementação em maior escala.
       

      Use tecnologias avançadas, como IA e agentes, de forma intencional

      IA e agentes podem aprimorar os esforços de transformação de uma organização — permitindo processar grandes volumes de dados com eficiência, conectar sistemas distintos e otimizar frentes de trabalho do projeto. Fundamentalmente, os agentes podem modelar e monitorar riscos potenciais em tempo real, deslocando a gestão de riscos para o início e para todo o cronograma da transformação.

      Esse desenvolvimento de soluções com agentes de IA está criando uma velocidade de mudança com a qual ninguém se sente confortável. Isso exige uma mudança radical, na qual as organizações precisam “começar com uma folha em branco” para novas iniciativas, em vez de tentar transformar incrementalmente processos existentes complexos.

      Concentrar-se em ciclos rápidos de ideação e construir soluções a partir do “zero” em pequenos componentes integráveis pode ser fundamental para o sucesso. Empresas que não adotarem uma abordagem que priorize agentes de IA desde a concepção correm o risco de criar uma “defasagem de aceleração”, pois esse futuro está acontecendo agora — e significativamente mais rápido do que muitos antecipam.

      Explore essas e outras estratégias de risco habilitadas por IA no artigo “A IA está revolucionando a gestão de riscos”.

      Integre as medidas de mitigação de riscos aos planos e aos orçamentos dos projetos

      Não basta identificar e discutir riscos. As ações de mitigação precisam ser incorporadas ao plano do projeto, com recursos alocados.

      Para cada risco importante, assegure que exista um conjunto correspondente de tarefas ou controles no plano. Por exemplo, se “adoção pelos usuários” for um risco, o plano pode incluir sessões adicionais de treinamento, oficinas de gestão da mudança e suporte pós-entrada em produção, com orçamento alocado para mitigá-lo.

      Se a cibersegurança for um risco em um novo sistema em nuvem, inclua a implementação de ferramentas específicas de segurança e ciclos de testes de invasão na frente de tecnologia da informação. Em essência, trate a mitigação de riscos como entregáveis.

      Isso pode exigir a reserva de orçamentos de contingência para respostas a riscos. Ao alocar visivelmente tempo e dinheiro para atividades de gestão de riscos, você sinaliza sua importância. Isso também evita o cenário em que ações de risco são identificadas, mas nunca executadas por “falta de tempo” — elas já estão programadas.
       

      Promova a comunicação aberta e uma cultura de riscos

      Comunicar más notícias cedo é algo positivo. Crie um ambiente no qual membros da equipe do projeto, gestores intermediários e até profissionais da linha de frente se sintam confortáveis para escalar riscos ou problemas potenciais sem medo.

      Isso pode envolver reuniões periódicas ou reuniões abertas nos quais o CEO ou o diretor de riscos pergunte: “O que preocupa você nessa transformação?” e recompense a honestidade. Quando alguém levantar uma preocupação, responda com análise e apoio, não com críticas ou transferência de responsabilidade.

      Cultivar essa cultura de transparência é vital para identificar riscos em formação. Comunique-se também de forma proativa com partes interessadas externos sobre a gestão de riscos na transformação. Informar regularmente o conselho sobre como os riscos estão sendo gerenciados constrói confiança. Com reguladores, discutir antecipadamente os controles de risco pode facilitar aprovações. Se o público ou os clientes forem impactados, demonstrar que existem medidas robustas de mitigação pode fortalecer a confiança.
       

      Monitore, adapte-se e aprenda continuamente.

      Durante a execução de uma transformação, trate o plano de gestão de riscos como um processo vivo. Monitore indicadores-chave de risco (KRIs) junto com indicadores-chave de desempenho (KPIs). Crie painéis de acompanhamento para ambos — por exemplo, satisfação do cliente pode ser um KPI, enquanto o número de incidentes de alta severidade ou violações de controles pode ser um KRI.

      Se um indicador de risco apresentar tendência negativa, trate-o com a mesma urgência usada para uma queda nas vendas. Realize reuniões regulares de revisão de riscos, mensais ou quinzenais, nas quais os responsáveis atualizem suas áreas e a equipe discuta novos riscos.

      Esteja disposto a adaptar o plano de transformação com base no feedback de riscos. Se novas informações surgirem — uma nova regulamentação for anunciada ou um piloto revelar um desafio de integração — ajuste escopo, cronograma ou recursos. Esse tipo de agilidade pode salvar um projeto do fracasso.

      É útil estabelecer etapas formais de aprovação com critérios de risco, exigindo, por exemplo, que determinadas ações de mitigação sejam concluídas antes da passagem da concepção para o desenvolvimento ou de testes para lançamento. À medida que cada marco se aproxima, faça uma aprovação de risco e pergunte: “Estamos confortáveis em prosseguir?”

      Por fim, incentive o aprendizado organizacional. Após fases importantes ou ao final do projeto, conduza análises pós-implementação focados nas lições aprendidas em gestão de riscos. Empresas que registram esses aprendizados — atualizando checklists de riscos ou bibliotecas de cenários para a próxima transformação — podem melhorar continuamente sua resiliência à mudança.
       

      A gestão de riscos como prioridade na era da IA

      As implementações de IA e IA agêntica são projetos prioritários de transformação para a maioria das empresas. Embora ofereçam a promessa de maior produtividade, inovação e redução de custos, a IA também traz seus próprios riscos.

      Implementações de IA que não sejam adequadamente governadas e controladas podem reduzir os retornos dos investimentos em IA, levar a violações de conformidade regulatória, resultar em perda de dados e propriedade intelectual ou prejudicar a reputação da organização.

      De acordo com resultados dos EUA em um estudo global recente da KPMG, 55% relataram ter experimentado resultados imprecisos devido à IA, e 75% estão preocupados com resultados negativos da IA. Além disso, as preocupações com uso indevido de IA por cibercriminosos e colaboradores aumentaram para 44%, ante 32% no trimestre anterior, reforçando esse tema como um dos principais desafios sociais. Pelo menos 80% citaram preocupações de risco, como cibersegurança, privacidade e qualidade dos dados, como a maior barreira para atingir com sucesso os objetivos de sua estratégia de GenAI.

      Para que a IA alcance esses objetivos e libere seus benefícios transformadores, as medidas de gestão de riscos precisam ser componentes centrais do plano do projeto desde o início, incluindo governança de IA — de modelos, sistemas e agentes —, salvaguardas de dados e privacidade e planejamento de cenários operacionais adaptado às implementações de IA. Isso pode gerar confiança entre as partes interessadas e acelerar inovação, adoção de IA e ROI.


      Conclusão

       

      O imperativo para que as organizações incorporem uma gestão proativa de riscos a cada fase de sua jornada de transformação nunca foi tão claro. À medida que o ritmo da mudança acelera, empresas que tratam o risco como um facilitador estratégico, e não como uma preocupação de conformidade posterior, estão mais bem posicionadas para liberar valor sustentável e construir confiança duradoura entre suas partes interessadas.

      As organizações que integram a gestão de riscos desde o início não apenas evitam surpresas dispendiosas e perda de valor, mas também promovem agilidade, resiliência e uma cultura de melhoria contínua.

      A mudança da gestão reativa para a proativa de riscos exige mais do que novos processos; ela demanda uma mudança fundamental de mentalidade e cultura organizacional. O alinhamento da liderança é essencial, com líderes de negócio e de risco trabalhando juntos para definir o apetite a risco, estabelecer objetivos estratégicos claros e garantir que as considerações de risco estejam incorporadas à governança, à tecnologia e às práticas de dados.

      Planejamento de cenários, testes de estresse e comunicação aberta precisam se tornar rotinas, permitindo que as equipes antecipem desafios, se adaptem rapidamente e aprendam com cada fase da transformação.

      Na era da IA agêntica, a área tradicional de riscos está evoluindo significativamente, afastando-se de departamentos isolados em direção ao monitoramento incorporado e orientado por agentes na primeira linha de atuação do negócio. O alinhamento da liderança continua essencial, mas agora também precisa incluir uma visão clara de como os agentes de IA transformarão a identificação, avaliação e mitigação de riscos em tempo real.

      Em última análise, a mudança da gestão reativa para a proativa de riscos exige mais do que novos processos; ela demanda uma mudança fundamental de mentalidade e cultura organizacional. Em vez de ser uma restrição, o risco pode permitir que as organizações avancem com ousadia, aproveitem novas oportunidades e concretizem a promessa da transformação.

      Ao integrar a gestão de riscos como elemento inegociável de seus modelos operacionais, os líderes podem assegurar que seus esforços de transformação não sejam apenas bem-sucedidos, mas também resilientes, confiáveis e capazes de avançar em velocidade e escala que criem vantagem competitiva.
       

      Como a KPMG pode ajudar sua organização a se transformar com velocidade, direção e confiança


      Oferecemos:

      Visão estratégica para a mudança. Ajudamos você a definir uma jornada de transformação clara e ambiciosa, alinhando sua estratégia de negócios a um roteiro prático de execução que incorpore segurança, resiliência e confiança desde o primeiro dia.

      Execução potencializada por IA. Por meio da KPMG Velocity, utilizamos IA, análises avançadas de dados e tecnologia inovadora para acelerar cada fase da transformação, desde o aprimoramento das operações e das experiências dos clientes até a modernização da função financeira.

      Capacidades multidisciplinares. Oferecemos uma abordagem holística que reúne nossa ampla experiência em riscos empresariais, resiliência financeira e operacional, cibersegurança, conformidade regulatória, dados e IA, para que a gestão de riscos se torne um facilitador estratégico, e não uma restrição.

      Compromisso permanente com a governança. Nosso foco em conformidade, governança robusta e uso ético da IA ajuda sua organização a inovar com confiança e preservar a integridade das operações e da marca.

      A chave para permanecer competitivo não é apenas avançar rápido — é seguir em frente com confiança. Na KPMG, acreditamos que incorporar a gestão de riscos diretamente à estrutura da transformação é essencial para acelerar o crescimento, impulsionar a inovação e construir valor duradouro.

      Nossa abordagem combina o poder da KPMG Velocity — nossa abordagem à transformação em um mundo de IA — com as capacidades líderes de mercado em risco e resiliência de nossa equipe de KPMG Advisory.
       

      Autores e colaboradores


      Michael Isensee — Líder de Riscos Cibernéticos e de Tecnologia, KPMG nos Estados Unidos

      Samantha Gloede — Líder Global de Serviços de Riscos e de IA Confiável, KPMG nos Estados Unidos

      Tim Phelps — Líder de Serviços de Riscos, KPMG nos Estados Unidos

      Jeanne Johnson — Líder de Transformação de Negócios, Clientes e Operações, KPMG nos Estados Unidos

      Os autores agradecem a Kevin Coleman, John Doel, Mike Hatjiyannis, Shane Hendricks, Leila Shin, Chris Panneck, John Thomas, Kenneth Fodor, Liz Kalooky e Beth Wall por suas contribuições a este artigo.
       

      Aviso legal


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      Referências citadas no artigo
       

      • “Trust, attitudes and use of Artificial Intelligence,” KPMG, 2025.

      • “KPMG Quarterly Pulse Survey, Q1 2026,” KPMG, 2026.

      • “KPMG Quarterly Pulse Survey, Q4 2025,” KPMG, 2025.