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      A inteligência artificial (IA) entrou em uma nova fase nas empresas brasileiras. Se, nos últimos anos, o foco esteve na experimentação e na ampliação da adoção da tecnologia, agora a prioridade passa a ser transformar esses investimentos em resultados concretos para o negócio. É o que revela a pesquisa Global AI Pulse Q2 2026, produzida pela KPMG.

      Os dados do recorte brasileiro foram extraídos do levantamento global, realizado com 2.145 líderes empresariais atuantes em 20 países e territórios, no período de abril a maio de 2026.

      Os resultados mostram que o Brasil apresenta indicadores superiores à média global em confiança, investimentos e maturidade na adoção da IA. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação das organizações com temas como governança, responsabilização, gestão de custos e capacidade de escalar a tecnologia de forma sustentável.

      Esse movimento acompanha uma tendência global, mas evidencia que muitas empresas brasileiras já começam a enfrentar desafios típicos de organizações em estágios mais avançados da jornada de IA.

      Por que as empresas brasileiras estão confiantes?

      A confiança na capacidade de gerar resultados também aumentou. Atualmente, 84% dos executivos brasileiros afirmam que a IA já entrega valor significativo para seus negócios, enquanto 86% acreditam que suas organizações estão preparadas para adaptar suas estratégias de IA às mudanças tecnológicas e regulatórias.

      Além disso, 87% dizem que a IA continuará sendo uma prioridade estratégica de investimento, mesmo em um cenário de desaceleração econômica.

      Como a adoção da IA está evoluindo nas organizações brasileiras?

      Outro destaque do estudo é a evolução da maturidade das empresas brasileiras na adoção da IA.

      A participação de organizações na fase de adoção acelerada passou de 20% para 31%, percentual superior ao registrado globalmente (22%). Paralelamente, 80% das empresas brasileiras afirmam estar avançando rumo a uma força de trabalho integrada entre humanos e IA, enquanto 40% já se consideram em estágios mais avançados da jornada de maturidade da tecnologia.

      Esses indicadores mostram que a discussão deixou de se concentrar apenas na implementação da IA. O desafio agora passa a envolver sua incorporação aos processos de negócio, às decisões corporativas e à rotina dos profissionais.

      Como as empresas brasileiras estão fortalecendo a governança de IA?

      À medida que a IA ganha escala dentro das organizações, cresce também a necessidade de fortalecer mecanismos de governança.

      No Brasil, 82% dos respondentes afirmam que o CEO assume ativamente a IA como uma prioridade estratégica. Além disso, 54% das empresas dizem ter clareza sobre quem responde pela qualidade e atualização dos dados, enquanto 46% afirmam ter orientações claras sobre quando o profissionais devem revisar ou substituir resultados produzidos pela IA.

      Os dados reforçam uma tendência observada globalmente: organizações que estabelecem responsabilidades claras para a gestão da IA tendem a apresentar maior confiança, maior maturidade e melhores resultados de negócio.

      Por que a gestão de custos se tornou estratégica para a IA?

      O estudo também mostra que as empresas brasileiras estão dando mais atenção à economia da IA.

      Mais da metade (58%) afirma possuir visibilidade total sobre os custos operacionais relacionados à tecnologia. Além disso, 61% exigem revisões de custos como parte da aprovação de projetos, enquanto 49% já trabalham com orçamentos específicos para consumo ou uso de tokens.

      Outro dado relevante é que 41% das organizações relatam ter adiado ou reduzido iniciativas envolvendo agentes de IA porque os custos passaram a superar os benefícios esperados.

      Esse cenário demonstra que a discussão sobre IA evoluiu. O desafio não é apenas ampliar sua utilização, mas garantir que os investimentos produzam retorno financeiro consistente e sustentável.

      Em quais aspectos o Brasil supera a média global na adoção da IA?

      Embora o movimento observado no Brasil esteja alinhado às tendências globais identificadas pela pesquisa, diversos indicadores nacionais superam a média internacional.

      As empresas brasileiras demonstram maior confiança na capacidade de gerar valor com a IA, apresentam níveis mais elevados de maturidade e avançam mais rapidamente na adoção de práticas relacionadas à governança e ao controle econômico da tecnologia.

      Esses resultados indicam que parte das organizações brasileiras já ultrapassou a fase inicial de adoção e passa a concentrar esforços na consolidação da IA como uma capacidade estratégica para o negócio. 

      Qual é o próximo desafio para a IA nas empresas brasileiras?

      O estudo mostra que o avanço da IA deixou de ser medido apenas pelo volume de investimentos ou pelo número de projetos implementados. O diferencial passa a estar na capacidade das organizações de transformar a adoção da tecnologia em ganhos mensuráveis de produtividade, eficiência, qualidade das decisões e crescimento dos negócios.

      Nesse contexto, fortalecer a governança, definir responsabilidades claras e ampliar a visibilidade sobre custos tornam-se fatores decisivos para sustentar a expansão da tecnologia. Os resultados da pesquisa indicam que as empresas brasileiras já avançam nessa direção, reforçando a evolução da IA nas empresas como um dos principais motores da transformação dos negócios no Brasil.



      Como as empresas brasileiras se comparam ao cenário global?

      Empresas que afirmam que a IA já gera valor significativo para os negócios:

      • No Brasil: 84%
      • No mundo: 76%

      Organizações confiantes na capacidade de preparar sua estratégia de IA para o futuro:

      • No Brasil: 86%
      • No mundo: 78%

      Empresas que manterão a IA como prioridade de investimento mesmo em uma recessão:

      • No Brasil: 87%
      • No mundo: 79%

      Organizações em fase de adoção acelerada da IA:

      • No Brasil: 31%
      • No mundo: 22%

      Empresas que avançam para uma força de trabalho integrada entre humanos e IA:

      • No Brasil: 80%
      • No mundo: 71%

      Empresas com clareza sobre a responsabilidade pela qualidade dos dados de IA:

      • No Brasil: 54%
      • No mundo: 35%