O contexto ajuda a explicar o novo enfoque. Nas semanas anteriores ao evento, duas das principais vozes do ecossistema de IA apresentaram leituras distintas sobre o momento da tecnologia.
De um lado, Dario Amodei, CEO da Anthropic, voltou a alertar para a velocidade do avanço da IA e para a necessidade de mecanismos que permitam à sociedade, aos órgãos reguladores e às estruturas de governança acompanharem essa evolução; de outro, Sam Altman, CEO da OpenAI, adotou um tom mais otimista ao reconhecer que os impactos da IA sobre o mercado de trabalho têm sido menos disruptivos do que muitos previam, destacando seu potencial para ampliar produtividade e oportunidades.
Embora partam de perspectivas diferentes, as duas visões convergem em um ponto: a IA deixou de ser uma tecnologia emergente para se tornar uma força concreta de transformação econômica.
Foi exatamente essa percepção que apareceu de forma recorrente no Web Summit. No setor financeiro, por exemplo, os debates mostraram que o grande desafio já não está em criar pilotos ou provas de conceito, mas em incorporar IA a processos críticos, com segurança, capacidade de escalar e governança. A vantagem competitiva não será determinada apenas pela qualidade dos modelos utilizados, mas pela capacidade de integrá-los ao núcleo das operações.
O mesmo raciocínio apareceu em áreas como saúde, desenvolvimento de software, educação e varejo. Em todos esses setores, a IA está deixando de ser vista como uma camada adicional de tecnologia para se tornar parte da infraestrutura operacional dos negócios. Equipes menores conseguem produzir mais. Processos tornam-se mais eficientes. Barreiras técnicas diminuem. O resultado é uma nova dinâmica competitiva, na qual velocidade de aprendizado e capacidade de implementação passam a valer tanto quanto inovação tecnológica.
Mas talvez o aspecto mais relevante seja que essa transformação não acontece apenas por causa da tecnologia. Ela depende de estratégia, cultura, liderança e pessoas.