Os riscos climáticos entram definitivamente nas decisões financeiras. A integração de riscos de sustentabilidade às avaliações financeiras ganhou destaque, incluindo o custo da inação nos modelos de negócio.
Também serão necessários planos de transição mais robustos: as empresas são cada vez mais pressionadas a alinhar seus planos de transição às NDCs, incorporar adaptação, resiliência e natureza e demonstrar credibilidade para destravar capital.
A tecnologia e a inteligência artificial (IA) devem funcionar como habilitadores. Embora haja amplo debate sobre consumo energético, a IA foi reconhecida na COP30 como catalisadora da transição, apoiando eficiência, redução de emissões e inovação.
A COP30 reforçou que a agenda climática está cada vez mais conectada a instrumentos regulatórios, padrões globais de reporte e mecanismos comerciais. Medidas como o Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM) – o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira da União Europeia –tendem a impactar diretamente empresas exportadoras, ao precificar o carbono incorporado a produtos intensivos em emissões.
Ao mesmo tempo, cresce a convergência em torno de padrões globais de divulgação, como os emitidos pelo International Sustainability Standards Board (ISSB), que estabelece normas internacionais para reporte de informações de sustentabilidade com foco em riscos financeiros.
Iniciativas complementares, como a ISO Net Zero, buscam orientar empresas na definição de trajetórias consistentes rumo à neutralidade de emissões, enquanto a Science Based Targets initiative (SBTi 2.0) amplia o rigor técnico e as exigências de credibilidade para metas climáticas corporativas alinhadas à ciência.
Esse conjunto de pressões regulatórias, normativas e comerciais amplia a complexidade do ambiente de negócios e exige das empresas maior coordenação estratégica entre áreas como sustentabilidade, finanças, compliance, cadeia de suprimentos e comércio exterior.
Mais do que cumprir obrigações de reporte, torna-se essencial integrar essas exigências às decisões de investimento, precificação, acesso a mercados e competitividade de longo prazo.