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      A COP30 marcou uma década do Acordo de Paris e foi apresentada como a “COP da implementação”. Realizada em Belém, no coração da Amazônia, a conferência reforçou a urgência de transformar compromissos em ação concreta, integrando clima, natureza e dimensões sociais em um contexto de crescentes riscos sistêmicos.

      Apesar de avanços importantes, o balanço global das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) confirmou que o mundo segue em uma trajetória de aquecimento mínimo de 2,5 °C.

      Esse cenário reforça a necessidade de acelerar políticas, investimentos e mecanismos de implementação, com impactos diretos para empresas de todos os setores.

      Estes são alguns dos destaques da publicação Principais Aprendizados da COP30, produzida pela KPMG.


      Quais são as principais mensagens da COP30?

      A implementação entrou no centro da agenda: a COP30 deslocou o foco de novos compromissos para a operacionalização dos já existentes, com ênfase em financiamento, regulação, padrões e mecanismos de execução.

      Energia e transição seguem críticas: embora o texto final não tenha incluído um roteiro formal para a eliminação dos combustíveis fósseis, 80 países avançaram em compromissos voluntários. O maior gargalo permanece o investimento em redes elétricas, mas a transição energética está na ordem do dia.

      Adaptação e resiliência ganharam protagonismo: houve compromissos para triplicar o financiamento para adaptação até 2035, além da adoção de indicadores globais e maior integração da adaptação aos planos nacionais e privados.

      Natureza e clima estão cada vez mais interligados: a COP30 reforçou a abordagem integrada entre clima e natureza, com avanços em financiamento da natureza, biodiversidade e inclusão de povos indígenas, embora sem um roteiro global para desmatamento.

      O que muda para as empresas?

      Os riscos climáticos entram definitivamente nas decisões financeiras. A integração de riscos de sustentabilidade às avaliações financeiras ganhou destaque, incluindo o custo da inação nos modelos de negócio.

      Também serão necessários planos de transição mais robustos: as empresas são cada vez mais pressionadas a alinhar seus planos de transição às NDCs, incorporar adaptação, resiliência e natureza e demonstrar credibilidade para destravar capital.

      A tecnologia e a inteligência artificial (IA) devem funcionar como habilitadores. Embora haja amplo debate sobre consumo energético, a IA foi reconhecida na COP30 como catalisadora da transição, apoiando eficiência, redução de emissões e inovação.

      A COP30 reforçou que a agenda climática está cada vez mais conectada a instrumentos regulatórios, padrões globais de reporte e mecanismos comerciais. Medidas como o Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM) – o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira da União Europeia –tendem a impactar diretamente empresas exportadoras, ao precificar o carbono incorporado a produtos intensivos em emissões.

      Ao mesmo tempo, cresce a convergência em torno de padrões globais de divulgação, como os emitidos pelo International Sustainability Standards Board (ISSB), que estabelece normas internacionais para reporte de informações de sustentabilidade com foco em riscos financeiros.

      Iniciativas complementares, como a ISO Net Zero, buscam orientar empresas na definição de trajetórias consistentes rumo à neutralidade de emissões, enquanto a Science Based Targets initiative (SBTi 2.0) amplia o rigor técnico e as exigências de credibilidade para metas climáticas corporativas alinhadas à ciência.

      Esse conjunto de pressões regulatórias, normativas e comerciais amplia a complexidade do ambiente de negócios e exige das empresas maior coordenação estratégica entre áreas como sustentabilidade, finanças, compliance, cadeia de suprimentos e comércio exterior.

      Mais do que cumprir obrigações de reporte, torna-se essencial integrar essas exigências às decisões de investimento, precificação, acesso a mercados e competitividade de longo prazo.

      O que esperar da COP31 e da agenda climática global?

      A COP31 terá uma governança inédita, com a Turquia sediando a cúpula e a Austrália liderando o processo de negociações ao longo do ano. A pré-COP em um país do Pacífico reforça a centralidade das Primeiras Nações e da cooperação internacional.

      O desafio será manter o impulso da COP30, garantir alinhamento entre as Convenções do Rio (clima, biodiversidade e desertificação) e avançar na implementação efetiva.