O recorte de Consumo e Varejo do estudo “KPMG 2025 Global CEO Outlook” traz uma visão clara de um setor em plena transformação. Mudanças estruturais decorrentes das tensões geopolíticas, dos avanços da inteligência artificial (IA) e da evolução dos hábitos de consumo estão redefinindo o segmento. Os resultados desse recorte, baseados na opinião de 120 CEOs do setor que participaram da pesquisa global, refletem um otimismo cauteloso e apontam para mudanças profundas capazes de sustentar o crescimento em um ambiente marcado pela incerteza. Essas conclusões podem ser extrapoladas para o contexto sul-americano, oferecendo insights sobre as oportunidades e os desafios para os próximos anos.
Apesar das condições econômicas adversas, 78% dos CEOs entrevistados nesse setor demonstram confiança no crescimento de sua indústria, enquanto 65% permanecem otimistas em relação à economia global. Essa aparente dissociação pode ser explicada pela resiliência setorial, sustentada pela capacidade do varejo de adaptar seus modelos de negócio, fortalecer cadeias logísticas e responder à crescente importância do comércio digital e dos modelos híbridos físico-digitais. Na América do Sul, onde a volatilidade econômica é particularmente acentuada, essa confiança está diretamente relacionada à capacidade dos varejistas regionais de manter dinamismo mesmo em ciclos recessivos, impulsionados pela flexibilidade operacional, pelo crescimento do e-commerce e pela consolidação de formatos de conveniência.
O relatório destaca que 52% identificam a resiliência nas cadeias de suprimentos como o principal desafio para os próximos três anos, um aumento significativo em comparação com pesquisas anteriores. Na América do Sul, onde as cadeias logísticas frequentemente enfrentam desafios estruturais — como desigualdades na infraestrutura, dependência de importações e exposição a eventos climáticos — esse fator assume importância ainda maior.
Nos últimos anos, a região tem observado como a variação climática e outros eventos extremos, como conflitos armados na Europa e no Oriente Médio, podem afetar o funcionamento das cadeias de suprimentos, impactando o fluxo de produtos, os custos logísticos e a estabilidade dos insumos industriais, demonstrando a grande necessidade de investimentos focados em resiliência, rastreabilidade e diversificação de fornecedores. Isso está em consonância com a prioridade global de um setor que busca promover e integrar a sustentabilidade e a eficiência energética como mecanismos para reduzir a vulnerabilidade operacional.