Impactos da Reforma Tributária no Modelo de Operação e Backoffice das Empresas
Além dos pontos já trazidos, a Reforma Tributária no Brasil, com sua proposta de unificação de tributos e a criação de novos modelos de apuração fiscal, terá implicações diretas não apenas nas regras fiscais, na contabilidade das empresas, mas também em seus processos operacionais e nas rotinas de backoffice. A adaptação ao novo sistema exigirá ajustes significativos nas operações diárias, com impactos que vão desde o planejamento tributário até as atividades mais rotineiras de departamentos como financeiro, fiscal e contábil, incluindo processos novos de conciliação. A seguir, discutimos os principais efeitos dessa reforma no modelo de operação e backoffice das empresas:
a. Mudança nos Processos Operacionais
A introdução do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) trará impactos significativos no modelo dos processos operacionais das empresas, principalmente devido à transição para a não-cumulatividade plena. Esse novo regime permite que as empresas compensem o imposto pago nas etapas anteriores da cadeia produtiva, evitando a tributação em cascata e reduzindo de forma significativa o resíduo tributário em cadeia . No entanto, para que o crédito seja passível de aproveitamento, será necessário um ajuste nas rotinas operacionais, como as de faturamento, contas a pagar e a receber, além da atualização dos sistemas de ERP. Os departamentos de compras, vendas, estoque e financeiro terão que se integrar de maneira mais eficiente, com um fluxo de informações mais ágil e preciso para garantir que os créditos tributários sejam registrados corretamente. Esse ajuste nos processos operacionais exigirá não apenas mudanças nas práticas diárias das equipes, mas também investimentos em tecnologia e treinamento para garantir que os novos procedimentos sejam aplicados de forma eficaz, evitando riscos de não conformidade e custos adicionais.
b. Adoção de Novas Ferramentas e Treinamento de Equipes
A transição para um novo modelo tributário exigirá que as empresas invistam em novas ferramentas e sistemas para suportar os ajustes fiscais incluindo a atualização dos ERPs e treinamentos específicos para as equipes de finanças, contabilidade e TI, a fim de garantir a correta aplicação das novas normas tributárias. As empresas que não conseguirem implementar esses ajustes de maneira eficiente podem enfrentar riscos de não conformidade, resultando em penalidades ou custos adicionais. Além disso, a mudança na estrutura tributária pode impactar diretamente a forma como as empresas negociam com fornecedores e clientes, afetando preços, competitividade e margem de lucro. Isso exigirá uma revisão contínua das estratégias comerciais e de compras para manter a sustentabilidade e a competitividade no novo cenário fiscal.
c. Revisão dos Processos de Relacionamento com Fornecedores e Clientes
A introdução das novas regras de tributação pode alterar a relação das empresas com fornecedores e clientes, especialmente em termos de preços e condições de pagamento. Os novos tributos serão tratados separadamente dos preços de venda, será necessário um controle rigoroso sobre margens de lucro, custos e estratégias de precificação. Além disso, empresas que atuam em diferentes estados precisarão considerar as variações nas alíquotas de IBS, o que exigirá uma reavaliação das operações de compras, vendas e logística para otimizar a carga tributária e melhorar a competitividade.