O artigo “O que foi importante na COP28?” propõe reflexões sobre a mais recente edição da Conferência do Clima e discute o papel da América do Sul na transição energética global.
Realizada em Dubai, Emirados Árabes Unidos, entre 30 de novembro e 12 de dezembro de 2023, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP28) foi marcada por avanços significativos e reflexões essenciais para a luta contra as mudanças climáticas.
De modo geral, quatro pontos cruciais emergiram da COP28: o reconhecimento dos combustíveis fósseis como principais fontes emissoras de carbono; lançamento do Fundo de Perdas e Danos; ênfase na biodiversidade e contenção das mudanças climáticas; e o papel da América do Sul na transição energética global.
Foi a primeira vez que o documento final reconheceu os “combustíveis fósseis” como principal fonte de gases de efeito estufa (GEEs). Esse fato sinaliza uma mudança histórica na posição dos líderes mundiais em relação ao enfrentamento das mudanças climáticas.
A COP28 também testemunhou o lançamento do Fundo de Perdas e Danos, uma iniciativa que estava em debate há alguns anos e objetiva auxiliar países mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas a lidarem com eventos extremos, como secas e inundações.
Devemos ressaltar, porém, que apesar do anúncio do Fundo, o compromisso financeiro dos países desenvolvidos ainda é considerado insuficiente diante das estimativas dos recursos necessários para enfrentar os danos climáticos de maneira efetiva.
A importância da conservação e da restauração da biodiversidade também teve destaque nas discussões realizadas durante a Conferência, com ênfase na necessidade urgente de interromper o desmatamento e a degradação florestal até 2030.
Em relação ao papel da América do Sul, Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai assumiram o compromisso de triplicar a capacidade de geração renovável e de dobrar os índices de eficiência energética até 2030.
A necessidade de reestruturar o sistema financeiro internacional para apoiar a transição para energias limpas foi um ponto importante levantado por esses países na COP28. Dotada de recursos naturais abundantes, como energia solar e eólica, a América do Sul desempenhará papel crucial na transição energética global.