Realizada anualmente pela KPMG, a pesquisa Global Female Leaders Outlook (GFLO) aborda a igualdade de gênero no trabalho, com foco na realidade das mulheres no ambiente corporativo. A edição de 2023 tem insights trazidos por executivas de várias partes do mundo.
Para a elaboração da GFLO 2023, foram consultadas 839 executivas de 53 países, incluindo Brasil e países sul-americanos, que ganharam recortes específicos, para facilitar nossa análise da realidade das mulheres nos ambientes corporativos regionais.
Os resultados revelam um quadro marcado por determinação e resiliência, especialmente no contexto de crise global, que não parece desmotivar as entrevistadas: 80% delas expressaram otimismo em relação às oportunidades que surgem em períodos de crise.
Um dos aspectos abordados pela pesquisa é a análise das rotinas profissionais e pessoais das executivas, evidenciando problemas típicos da desigualdade de gênero, como a carga excessiva de trabalho, com as atividades domésticas se somando às obrigações profissionais.
O estudo revela que 71% das entrevistadas enfrentam esse problema, com 69% delas se sentindo sobrecarregadas e 55% relatando esgotamento físico e mental, indicando uma tendência preocupante de burnout entre as líderes femininas.
No recorte brasileiro, sobressai que 38% das executivas assumam ser as principais responsáveis pelas tarefas domésticas, um número comparável às médias globais e sul-americanas. Apenas 4% delas relatam que seus parceiros assumem essa responsabilidade.
Apesar dos desafios, a pesquisa indica, na pesquisa global, nítido otimismo quanto ao avanço da pauta de igualdade de gênero nos próximos anos, com três em cada quatro mulheres expressando esperança de que a desigualdade de gênero deixará de ser um problema nos próximos 15 anos.
Entre as executivas na América do Sul, os obstáculos devido à discriminação de gênero ainda são significativos. Cerca de 63% delas relatam que isso afeta sua trajetória profissional, o que ressalta a necessidade de haver medidas consistentes para promover a equidade na região.
As executivas brasileiras também enfrentam desafios adicionais em suas carreiras devido à discriminação, com 84% delas relatando que isso afeta sua trajetória profissional. Esse número é superior às médias globais e sul-americanas, destacando a urgência de medidas para promover a igualdade de gênero no Brasil.
Questões ESG e a visão das executivas
Além das questões de gênero, a pesquisa também aborda temas como transformação digital e mudanças climáticas, destacando a importância crescente da atenção aos pilares ESG nas estratégias de crescimento das empresas.
Na América do Sul, 41% das entrevistadas afirmam que as questões ambientais são prioritárias em suas agendas, demonstrando que a região está assumindo um compromisso crescente com a sustentabilidade empresarial.
A pesquisa revela que apenas 33% das executivas brasileiras consideram as questões ambientais como prioritárias em suas estratégias de negócios, um percentual abaixo da média global e sul-americana. Isso é surpreendente, considerando o potencial do Brasil no enfrentamento das mudanças climáticas.
Os insights apresentados pela Global Female Leaders Outlook 2023 demonstram que a busca pela igualdade de gênero no ambiente de trabalho continua sendo um desafio global para as mulheres. Também revelam que, para elas, cenários desafiadores representam oportunidades de progresso.